domingo, 22 de julho de 2012

A ZONA DO EURO INICIA-SE EM PANICO


Espanha: o palanque da esquerda grega

Se a banca está com trombose e o dinheiro não circula o capitalismo gangrena. Isso não é estático: os problemas se agravam. Chega-se ao ponto em os bancos não são mais capazes nem mesmo de se autofinanciar. 

O desastre espanhol mostra que uma parte da banca do euro já atingiu essa fase da doença. Bancos micados com carteiras imobiliárias em processo de depreciação, ou abarrotados de títulos de governos asfixiados na própria corda ortodoxa-- que se privam de receita fiscal para reerguer a economia-- não conseguem honrar seus compromissos. Seus balanços desenham uma cruz mortal: os ativos se desvalorizam; os passivos não; o custo de captação sobe na proporção da desconfiança que inspiram nos mercados.
Nos últimos nove meses mais de 200 bilhões de euros fugiram da Espanha; desse total, 66 bilhões evadiram-se em março. Foi a continuidade dessa hemorragia que impôs uma transfusão de 100 bilhões de euros neste sábado para salvar o sistema bancário espanhol. 
A desconfiança é uma doença que não se cura com ataduras. Ao contrário dos neoliberais ingênuos, os mercados desde 2008 só enxergam um garantidor de última instância a quem confiar a sua riqueza: o Estado. Por isso preferem migrar da Espanha que paga juro de 6% ao ano para os títulos dos EUA, que oferecem retorno negativo: 1,4% ao ano para uma inflaçao da ordem de 2%.
A estrutura do euro desfibrou os Estados nacionais como a direita brasileira gostaria de ter feito aqui se Lula e o PT não tivessem atrapalhado desde 2002. Mas a UE não deu às economias associadas a contrapartida de uma união fiscal e bancária que propiciasse aos depósitos, em qualquer agência européia, a mesma garantia de cobertura de uma autoridade comum. 

A direita espanhola, assim como a grega, a portuguesa etc, imaginou compensar essa deficiência oferecendo a carne viva dos seus trabalhadores aos mercados. Tentou comprar confiança com recessão e escalpos trabalhistas. A receita levou a uma espiral descedente:empresas não contratam, o Estado não arrecada nem investe, os trabalhadores não recebem e não compram. O desemprego espanhol atinge 1/4 da população economicamente ativa; é superior a 50% entre a juventude. A direita espanhola fez tudo o que a ortodoxia manda. E deu errado.
 

O socorro deste sábado é a confissão tácita de que o modelo esgotou. Como convencer os gregos a sancioná-lo nas urnas do próximo domingo?
 
fonte: Carta Maior

quinta-feira, 12 de julho de 2012


Voto Secreto

Acompanhei, “pari passu”, o processo de votação do Projeto de Resolução 22/2012 em (11/07) — perda de mandato de Demóstenes Torres.  De Sêneca, pela mulher de Cesar, ao Padre Antonio Vieira, foi moída sua personalidade na moenda da justiça / decoro / moralidade parlamentar. Fatos contra adjetivação clamou o acusado.


A moenda do senado com 56 dos 81 dentes moeram Demóstenes. Não houve cuidado com a coação — 19 queriam-no a salvo — registrou-se 05 ignóbeis abstenções. Haveremos de sabê-las—vergonhosas ou a serviço da Pátria.  Não se registraram "vivas" nem "hurras". Um silêncio sepulcral pela carne dilacerada do tecido político nacional pela corrupção. 

Haveremos de concluir pela PEC eliminando o preceito de voto secreto em caso de cassação de parlamentar. Enquanto prevalecer a constituição neste item, a votação continuará secreta. Resta-nos a "pressão" sobre os parlamentares para esta mudança que se faz necessária.

Senadores pronunciaram-se e, dentre eles, pasmem, Capiberibe numa análise entre impunidade e a imunidade ao que somo o poder e o podre. Entre os dois primeiros a simples supressão da letra ( p ) e dos últimos a simples troca de lugares dos ( r, e ). Vê-se que se equivalem dois a dois.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Voto Secreto - depende de uma PEC


Voto Secreto

Acompanhei, “pari passu”, o processo de votação do Projeto de Resolução 22/2012 em (11/07) — perda de mandato de Demóstenes Torres.  De Sêneca, pela mulher de Cesar, ao Padre Antonio Vieira, foi moída sua personalidade na moenda da justiça / decoro / moralidade parlamentar. Fatos contra adjetivação clamou o acusado.


A moenda do senado com 56 dos 81 dentes moeram Demóstenes. Não houve cuidado com a coação — 19 queriam-no a salvo — registrou-se 05 ignóbeis abstenções. Haveremos de sabê-las—vergonhosas ou a serviço da Pátria.  Não se registraram "vivas" nem "hurras". Um silêncio sepulcral pela carne dilacerada do tecido político nacional pela corrupção. 

Haveremos de concluir pela PEC eliminando o preceito de voto secreto em caso de cassação de parlamentar. Enquanto prevalecer a constituição neste item, a votação continuará secreta. Resta-nos a "pressão" sobre os parlamentares para esta mudança que se faz necessária.

Senadores pronunciaram-se e, dentre eles, pasmem, Capiberibe numa análise entre impunidade e a imunidade ao que somo o poder e o podre. Entre os dois primeiros a simples supressão da letra ( p ) e dos últimos a simples troca de lugares dos ( r, e ). Vê-se que se equivalem dois a dois.

Aberta a temporada de caça ao PT


Aberta a temporada de caça ao PT

A propaganda eleitoral está liberada desde o dia 7 de julho. Para a fatia majoritária da população, a campanha municipal de 2012 começa agora. Para os partidos e lideranças, a caminhada vem de antes, desde as refregas na escolha dos candidatos, passando pelas disputas e as sinalizações das alianças, à luta pelo tempo no horário eleitoral gratuito a TV. Nenhuma das decisões se esgota em si mesma. A lógica do poder é espiralada, para acima e para baixo. 



Uma vitória catalisa as forças do passo seguinte; a derrota aleija e descredencia. O dispositivo midiático conservador arma-se com a faca nos dentes. Sem tempo de TV para afrontar o tsunami do jornalismo isento, nada feito.  O poder midiático acaba de reafirmar seu peso nas eleições presidenciais mexicanas, constituindo-se em fator decisivo à volta do PRI ao poder. A ação da Televisa --a Globo local- contra López Obrador foi tão inescrupulosa que gerou a maior surpresa do processo eleitoral: o movimento YoSoy132, uma iniciativa estudantil que combinou a força da rede e a da rua, afrontou o poder da Televisa ao criar canais alternativos de debate.  


A disputa pela prefeitura de São Paulo, um dos quatro maiores orçamentos do país, decide o futuro político de José Serra e o de sua ala no PSDB, minguante inclusive em São Paulo: se vencer, o tucano ganha músculos para uma nova tentativa de chegar à Presidência em 2014. Depois de duas derrotas presidenciais para o PT, se perder no próprio ninho, o ex-governador deslizará para uma aposentadoria humilhante, com provável dissolução de sua influencia partidária na própria cidade que pretende usar como trampolim eleitoral pela segunda vez.  Não são poucos os tucanos que torcem por esse fracasso. 


A votação de Serra na convenção partidária em março foi o sinal eloquente de uma liderança cada vez mais afeita a dividir do que a somar: esperava-se uma consagração com 80% dos votos; o esquálida apoio de 52% dos delegados soou mais como um aviso prévio do que um cheque em branco; o perfil arestoso e desgastado do político cuja principal vitrine é o elitismo e a cizânia não encontra mais braços dispostos a carregá-lo com entusiasmo. É um flanco de partida oneroso.  Para o PT a eleição de São Paulo empilha travessias e simbolismos igualmente desafiadores. O partido decidiu cravar aqui um alicerce de renovação audacioso ao optar pelo lançamento de Fernando Haddad, em detrimento de Marta Suplicy. 


O novo ciclo foi bancado por Lula que fará de São Paulo a moldura de sua volta à política da rua, dispondo-se a jogar nela o cacife de maior cabo eleitoral de hoje e de 2014. Os números evidenciam o peso que o escrutínio paulista assume na vida dos partidos e da política nacional: a campanha de Serra prevê gastos de até R$ 98 milhões; a de Haddad, R$ 90 milhões. Ambos praticamente se equiparam no tempo do horário eleitoral gratuito: 7mi 46 e 7 mi 34, respectivamente.  Fator decisivo na campanha de um candidato desconhecido, a luta pelos segundos da propaganda gratuita descarregou nos ombros do PT seu ônus de largada: o partido terá que explicar ao eleitor de classe média, justamente o alvo da estratégia de renovação, a aliança com Paulo Maluf [referência de tudo aquilo contra o qual se bateu desde a fundação]. 


O pragmatismo será melhor tolerado se Haddad firmar-se no imaginário da população como o portador de propostas ao mesmo tempo inovadoras e críveis, que devolvam a confiança numa prefeitura realmente disposta a ser o comando de uma cidade a favor da cidadania.E não a mera extensão burocrática do poder do dinheiro como tem sido, com requinte, sob a administração do codomínio Serra/Kassab. Difícil numa metrópole capitalista como São Paulo? E o que dizer de uma metrópole quase tão grande quanto e ainda por cima vizinha do império americano? A esquerda comanda a Cidade do México desde 1997. E o faz com resultados tão encorajadores que acaba de ser vitoriosa para mais um mandato, com uma vantagem de 44 pontos sobre a direita local. Claro que não será fácil para Haddad e para o PT. Serra não une nem o PSDB, mas sabotar a reeleição de Dilma, em 2014, interessa a todas as facções do conservadorismo que sabem a importância de vencer em São Paulo. A mídia jogará seu peso desequilibrador nesse objetivo com duas alavancas: a cobertura tóxica do julgamento do mensalão e a intriga para estilhaçar a frente progressista, da qual depende a continuidade do governo Dilma, em 2014. 
Fonte: Carta Maior

sábado, 30 de junho de 2012

Estatisticas


Estatísticas
Diário da Região --edição 30/6--, chamada de capa e pag. 03, são tantos percentuais que, salvo as devidas proporções, até parece um compêndio de Estatística. Começaram com evangélicos e católicos, aqueles crescem e estes recuam, mas continuam maioria aqui na terrinha — 59% de católicos.

Agora, um número, sobremaneira, chamando a atenção por sua forma e destaque – enxerga-se de longe, a “letrona” – 77% é a aprovação de Dilma Russeff, sim, a presidenta. Olha que “desceram o pau” no seu governo e no PT (lê-se Freire/PPS). Acho até interessante que a “Veja” e seus aficionados continuem batendo nos dois, até que Dilma chegue aos 99%.

Erundina, patati patata, mais fechada que nunca, vai pôr a “tropa de choque” nas ruas, pró Haddad. Marta, piriri, pororó, diz não gostar de política (?!), só de futebol e na Suécia --o Luciano que disse! O resto, “até parece que não sei”, meu! Ó, a tchurma do Arruda desvia ao menos 100 mi no DF. São 37, os denunciados. Denúncia fanta$io$a?  Pelo menos é o que diz o advogado do do Arruda. 

domingo, 24 de junho de 2012

DEMOCRATURA



<<Países com longas ditaduras não passam simplesmente da ditadura à democracia, apagando seu passado e escrevendo a nova página da sua história como se fosse uma página em branco. Até mesmo porque costumam ser transições institucionais, pacíficas, não rupturas radicais. O passado pesa fortemente sobre as novas democracias, condicionando seu futuro fortemente.>>

<<Tem acontecido como regra nos países latino-americanos. O próprio Brasil foi vítima desses condicionamentos. Incapaz de obter os 2/3 do Congresso para convocar eleições diretas para presidente – que teriam em Ulysses Guimarães seu mais forte candidato a ser o primeiro civil a presidir o Brasil desde 1964 -, o país se viu às voltas com mais um pacto de elite na sua história, configurado no Colégio Eleitoral, fundado num acordo entre o novo – as forças democráticas, constituídas na oposição à ditadura – e o velho – advindas da ditadura, para somar-se ao novo regime, quando o antigo se esboroava.>> 
O preço pago não foi barato. Ao invés da democratização das profundas estruturas de poder consolidadas pela ditadura – no campo, nos bancos, nas grandes corporações industriais e comerciais, nos meios de comunicação -, o novo regime – sob a presidência do até pouco tempo antes presidente do partido da ditadura – limitou-se, bem ao estilo liberal, à democratização institucional. O país profundo seguiu igual, até piorou em alguns aspectos, como nos meios de comunicação, em que o ministro das comunicações, ACM, encarregou-se de terminar a monopolização da mídia. Como resultado, tivemos uma redemocratização institucional, mas o Brasil não se democratizou do ponto de vista econômico, social e cultural. 
Continuamos - até o governo Lula – a ser o país mais desigual do continente mais desigual. Essas são analises que podem ser estendidas a outros países do continente que passaram por ditaduras. O Egito e o Paraguai vivem situações que podem ser comparadas com essa. Durante as longas ditaduras que os dois países sofreram, só foi tolerada a oposição moderada, que compactuava com a ditadura: o Partido Liberal no Paraguai, a Irmandade Muçulmana no Egito. Quando termina a ditadura, os partidos ligados ao regime e essas forças de oposição estão nas melhores condições para protagonizar o que deveria ser a transição para a democracia. No Egito, os dois candidatos provinham dessas forças: um ex-ministro do Mubarak e um candidato muçulmano. 
No Paraguai o Congresso continua a ser dominado pelos partidos Colorado e Liberal. Foram estes dois partidos que se uniram – juntando-se aos oviedistas, partidários de Lino Oviedo, caudilho tradicional – para derrubar Fernando Lugo em processo expeditivo. No Brasil foi preciso passar 17 anos de terminada a ditadura para que o PT chegasse a ter forças para conquistar a presidência. Enquanto isso, existem democraduras, cruzamento de democracia com ditadura.
Postado por Emir SaderPaíses com longas ditaduras não passam simplesmente da ditadura à democracia, apagando seu passado e escrevendo a nova página da sua história como se fosse uma página em branco. Até mesmo porque costumam ser transições institucionais, pacíficas, não rupturas radicais. O passado pesa fortemente sobre as novas democracias, condicionando seu futuro fortemente.

Tem acontecido como regra nos países latino-americanos. O próprio Brasil foi vítima desses condicionamentos. Incapaz de obter os 2/3 do Congresso para convocar eleições diretas para presidente – que teriam em Ulysses Guimarães seu mais forte candidato a ser o primeiro civil a presidir o Brasil desde 1964 -, o país se viu às voltas com mais um pacto de elite na sua história, configurado no Colégio Eleitoral, fundado num acordo entre o novo – as forças democráticas, constituídas na oposição à ditadura – e o velho – advindas da ditadura, para somar-se ao novo regime, quando o antigo se esboroava.  O preço pago não foi barato. Ao invés da democratização das profundas estruturas de poder consolidadas pela ditadura – no campo, nos bancos, nas grandes corporações industriais e comerciais, nos meios de comunicação -, o novo regime – sob a presidência do até pouco tempo antes presidente do partido da ditadura – limitou-se, bem ao estilo liberal, à democratização institucional. O país profundo seguiu igual, até piorou em alguns aspectos, como nos meios de comunicação, em que o ministro das comunicações, ACM, encarregou-se de terminar a monopolização da mídia. Como resultado, tivemos uma redemocratização institucional, mas o Brasil não se democratizou do ponto de vista econômico, social e cultural. Continuamos - até o governo Lula – a ser o país mais desigual do continente mais desigual. Essas são analises que podem ser estendidas a outros países do continente que passaram por ditaduras. O Egito e o Paraguai vivem situações que podem ser comparadas com essa. Durante as longas ditaduras que os dois países sofreram, só foi tolerada a oposição moderada, que compactuava com a ditadura: o Partido Liberal no Paraguai, a Irmandade Muçulmana no Egito. Quando termina a ditadura, os partidos ligados ao regime e essas forças de oposição estão nas melhores condições para protagonizar o que deveria ser a transição para a democracia. No Egito, os dois candidatos provinham dessas forças: um ex-ministro do Mubarak e um candidato muçulmano. No Paraguai o Congresso continua a ser dominado pelos partidos Colorado e Liberal. Foram estes dois partidos que se uniram – juntando-se aos oviedistas, partidários de Lino Oviedo, caudilho tradicional – para derrubar Fernando Lugo em processo expeditivo. No Brasil foi preciso passar 17 anos de terminada a ditadura para que o PT chegasse a ter forças para conquistar a presidência. Enquanto isso, existem democraduras, cruzamento de democracia com ditadura.
Por Emir Sader