quarta-feira, 5 de abril de 2017
dan2010: << Os partidos devedores em fuga >>
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<< Os partidos devedores em fuga >>
A temerária ação do Procurador Dallagnol contra o PP, cobrando mais de dois bilhões de reais daquele Partido, decorrentes de lesões ao erário, que ele assevera cometidas por filiados ao mesmo, certamente abre a lista de um rosário de ações judiciais, que visam o extermínio dos partidos políticos no Brasil. Isso só foi possível “naturalizar”, como ação do Ministério Público Federal, após um exitoso movimento da mídia tradicional, articulado com direita liberal orgânica – existente na burocracia do Estado e na maioria dos partidos tradicionais – para criminalizar a política de forma radical. Por dentro da política democrática e com o funcionamento normal das suas instituições, não conseguiriam fazer as suas reformas de desmonte do Estado, de terceirizações selvagens e de entrega do pré-sal.
A criminalização da política não se confunde com o combate a corrupção. O verdadeiro combate a corrupção se faz dentro da ordem jurídica, para que dele não redunde apenas uma troca de grupos de poder, como ocorre especialmente nas ditaduras, mas um conjunto de mudança culturais e institucionais, que reduza a margem de manobra de corruptos e corruptores na sua relação com o Estado, além de punir – dentro da lei – os que cometerem ilícitos penais comprovados. A premissa da criminalização da política – com a sua devida espetacularização – abrigada na desculpa que isso “ajuda a combater a corrupção”, na verdade pretende é extinguir a confiança na democracia, expandir a “exceção” e fazer supor que o combate a corrupção não se identifica com o regime democrático, quando, na verdade os regimes de força, de qualquer origem, são sempre os mais corruptos e corruptores.
Como se faz a falsa identidade, entre “exceção” e combate à corrupção? O nazismo e o fascismo já mostraram como. Inicia-se apontando como criminosos, não indivíduos ou grupos concretos e determináveis, mas toda uma comunidade indeterminada e abstrata, sem indicar concretamente os “delitos” que ela cometeu. Outorga-se a esta comunidade, ser portadora de um determinado “mal”: inimigos, espiões, corruptos, raça inferior, “deformados”, ladrões ou o quer que seja. Nesta indicação, as responsabilidades pessoais de cada indivíduo ficam dissolvidas no “todo”, tornando-se, este “todo” -por inteiro- criminalizável, ao arbítrio da autoridade policial ou do encarregado de propor a ação penal. Os ciganos, judeus, comunistas, socialdemocratas, depois os homossexuais, democratas ou simpatizantes do regime democrático – tanto no nazismo como no fascismo – foram as vítimas mais evidentes desta metodologia da barbárie.
A responsabilização penal, nesta hipótese, passa a ser baseada no fato de que a pessoa é judia, comunista, democrata intransigente, cigana ou homossexual, não por ela ter cometido um delito qualquer. O poder, nestas condições, pode “pinçar”, da comunidade já tida como “criminosa”, quem quiser, para punir e responder por aquele “todo”. Pode punir, tanto “culpados”, como inocentes. No caso do Brasil, aquele indivíduo, sendo um “político”, a prova do crime já está feita. A política passou a ser, no imaginário popular, apenas uma forma refinada de delito. Ele – o político -, como categoria social, já foi criminalizado pela propaganda manipulada e pelo bombardeio da informação interessada, mesmo que não tenha cometido qualquer crime ao longo da sua vida pública.
A criminalização da esfera da política, como um todo, começou por pessoas do PT, foi para grupos do PT, depois chegou ao PT, como um todo. A seguir, transcendeu para outros partidos, passando para o PTB e o PMDB, atingindo o PP e o PSDB, sempre com diferentes cargas de interesse investigativo, tanto da imprensa tradicional como das autoridades policiais e do MP. O resultado foi a criminalização da esfera da política, combinada com a fixação, no poder, da mais notória Coalizão de Investigados e Denunciados (e agora também de presos) que já governou o país, que está nos levando ao desastre. A criminalização da política e a incriminação dos partidos – como instituições – cobra o seu preço. Tornou-se uma magnífica homenagem do Estado-polícia a quem realmente tem “culpa”, pois dá chance de unificar os culpados que foram bem punidos, com os inocentes, que tiveram as suas vidas destruídas pelos “vazamentos” seletivos e pelos métodos de “exceção”. Com a maldição lançada sobre os partidos e sobre a política, todos os políticos e todos os afeiçoados ou filiados aos partido, são devedores em fuga.
O professor Donaldo Schüller, no seu magnífico “Afrontar Fronteiras” (Ed. Movimento, 111), dá uma pista valiosa do porquê tudo isso pode acontecer, como se fosse “natural”, relembrando Heidegger, adepto do “Führerprinzip”. Tudo pode ser explicado racionalmente, dependendo do ponto de partida da razão. O filósofo justificou-se perante os aliados – para não ser condenado como criminoso de guerra – que só apoiara os nacional-socialistas para “deter o avanço do comunismo”. A explicação foi aceita por algumas décadas e depois caiu por terra. Pergunta: por quanto será aceita a justificação, de que ações como estas interpostas por Dallagnoll, só tem por objetivo “combater a corrupção”? Talvez por muitas décadas. Se o Supremo continuar admitindo que setores do Ministério Público sejam, de fato, os guardiões da Constituição, e assim os condutores político do país em crise, chegaremos ao tempo que Heidegger precisava para ser esquecido, como o Reitor que prestigiava a autoridade do nazismo para demitir os professores judeus. Que eram criminosos, porque eram judeus, portanto devedores em fuga.
quinta-feira, 30 de março de 2017
dan2010: Duas batalhas decisivas que podemos vencer
dan2010: Duas batalhas decisivas que podemos vencer: Duas batalhas decisivas que podemos vencer Brasil de Fato > Ricardo Gebrim em 28 de Março de 2017 A nuvem de poeira construída ...
Duas batalhas decisivas que podemos vencer
Duas batalhas decisivas que podemos vencer
Brasil de Fato > Ricardo Gebrim

Voltamos a contar com apoio popular que somente se ampliará nos próximos meses
Na medida em que o golpe de 2016 não podia contar com o aparato repressivo de Estado como em 1964, as forças populares puderam organizar um conjuntos de lutas e manifestações de resistência, fortalecendo sua unidade em diversas articulações, cujo polo principal é a Frente Brasil Popular.
As lutas de resistência envolveram militantes, ativistas, intelectuais, recompondo um importante campo democrático e popular. Porém, as amplas massas, mesmo aquelas que foram diretamente beneficiadas pelos anos de governos petistas, nos faltaram. E isso foi decisivo em nossa derrota. Predominava uma forte desconfiança, alimentada pelo erro político de propor um "ajuste fiscal", em 2015 e impulsionada pelo gigantesco aparato midiático que foi peça fundamental do golpe.
Este cenário começa aceleradamente a se alterar. Os ataques aos direitos sociais, promovidos pela ofensiva golpista, especialmente a proposta de reforma da Previdência, possibilitam obter um apoio popular crescente. A nuvem de poeira construída pelo golpe começa a baixar e, a cada dia, vai ficando visível, para a maioria da população, o que está em jogo.
Um novo momento em que se colocam duas batalhas decisivas que podem ser ganhas pelas forças democráticas e populares alterando qualitativamente a luta contra o golpe. A primeira batalha é a possibilidade concreta de derrotar a chamada reforma da Previdência, questão fundamental para assegurar a coesão do golpe e a sustentação de Temer, que assiste um processo de derretimento de seu governo. Se formos vitoriosos, não só impediremos o mais cruel ataque ao futuro da classe trabalhadora como abalaremos toda a sustentação política do campo de forças econômicas e sociais que patrocinou e sustenta o golpe.
A segunda batalha é impedir a inabilitação de Lula. Esta é uma luta contra uma medida estratégica das forças golpistas. Muitos vacilam ou temem enfrentar esta luta por achar que implicará, necessariamente, no apoio político a sua candidatura. Não compreendem que seu significado, neste momento, transcende muito a mera opção eleitoral. O golpe não pode correr o risco de enfrentar uma candidatura com apoio popular, como a de Lula, em 2018. Precisam inabilitá-lo, a qualquer custo. Porém, o caminho que utilizam é de extrema fragilidade. Um processo em que todas as testemunhas da acusação comprovam a inocência, em que não existe nenhuma prova documental, é uma farsa que terá imenso impacto internacional.
Nestas duas batalhas a máquina midiática revela sua impotência. Voltamos a contar com um apoio popular que somente se ampliará nos próximos meses se compreendermos as tarefas que estão colocadas e não hesitarmos em lutar.
Estamos em uma nova situação, retomando o apoio popular e com capacidade de partir para a ofensiva se soubermos manter a unidade e não cedermos a apelos conciliatórios.
Como nos ensinou Karl Marx, "seria evidentemente muito cômodo fazer a história se só devêssemos travar a luta com chances infalivelmente favoráveis". O surgimento de uma oportunidade apenas se concretiza quando encontra dirigentes e organizações capazes de compreendê-la. A oportunidade está colocada.
Fonte: Brasil de Fato. Ricardo Gebrim
Prof. Alfio Bogdan - Físico e Professor - analista em acidentes de trânsito.
sexta-feira, 24 de março de 2017
dan2010: Assim disse RENAN CALHEIROS
dan2010: Assim disse RENAN CALHEIROS: ⟪ O SR. PRESIDENTE (Eunício Oliveira. PMDB - CE) – Concedo a palavra, como próximo orador inscrito, ao Senador Renan Calheiros. [ I nício d...
quinta-feira, 9 de março de 2017
dan2010: Perdido no tempo
dan2010: Perdido no tempo: Por Bernardo Mello Franco Em mais um esforço para tentar melhorar a imagem presidencial, o governo organizou uma solenidade em home...
Perdido no tempo
Por Bernardo Mello Franco
Em mais um esforço para tentar melhorar a imagem presidencial, o governo organizou uma solenidade em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. O palácio ficou cheio, mas a ideia se revelou um desastre. E desta vez não há como jogar a culpa no marqueteiro.
Diante de uma plateia majoritariamente feminina, Michel Temer cometeu deslizes em série. "Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, do quanto a mulher faz pela casa, do quanto faz pelo lar", disse.
"Na economia, também, a mulher tem uma grande participação. Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes, por exemplo, de preços em supermercados", acrescentou.
O discurso constrangeu parlamentares e servidoras convidadas para a cerimônia. Nas redes sociais, a repercussão foi ainda pior.
A secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, tentou defender o chefe. "O presidente Michel é muito mais do que palavras", disse. Fora dos microfones, aliados reconheceram a bola fora. Não foi a primeira neste campo.
Ao suceder a primeira presidente mulher, Temer montou um ministério só de homens, num retrocesso à era Geisel. Completou a obra ao rebaixar a Secretaria das Mulheres ao segundo escalão do governo.
Em outro trecho do discurso desta quarta (8), Temer reforçou a impressão de não ter entendido que estamos em 2017. Ele exaltou o fato de que as brasileiras passaram a votar. "A mulher representa, e representava no passado, 50% da população brasileira. E, sem embargo, o fato é que 50% estava excluído", disse.
O voto feminino foi instituído em 1932. Oitenta e cinco anos depois, a exclusão persiste de outras formas. Apesar de serem maioria no eleitorado, as mulheres não ocupam nem 12% das vagas no Congresso. No mercado de trabalho, a discriminação também continua. É o que mostram os dados oficiais sobre renda e emprego, que Temer deveria conhecer.
Fonte: Folha de SP
Alfio Bogdan - Físico e Professor - analista em acidente de trânsito
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