terça-feira, 13 de outubro de 2020

repúdio à manifestação de Mourão exaltando Ustra

 Por COMISSÃO ARNS

Nota pública em repúdio à manifestação de Mourão exaltando Ustra

Em nota pública, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns manifesta seu mais veemente repúdio à declaração do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, em entrevista para a rede alemã Deutsche Welle, de que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra foi “um homem de honra, que respeitou os direitos humanos dos seus subordinados”. As palavras do vice-presidente, que é um general reformado do Exército, não apenas desonram as Forças Armadas, como agridem a dignidade dos que padeceram nas mãos desse torturador já condenado pela Justiça.

Não é de hoje que autoridades do atual governo exaltam a figura macabra do ex-chefe do DOI-Codi do 2º Exército, em São Paulo, de cujos porões emergiram inesquecíveis relatos de terror e sadismo contra cidadãos brasileiros. Para se ter ideia da barbárie autorizada como política da Estado, entre 1970 e 1974, a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, liderada por Dom Paulo Evaristo Arns, patrono da Comissão Arns, reuniu mais de 500 denúncias de tortura no DOI-Codi comandado por Ustra.

Passaram-se mais de 30 anos para que, finalmente em 2008, Ustra fosse reconhecido como autor de sequestro e tortura, em ação declaratória movida pela família Telles, cujos membros puderam sobreviver para testemunhar as crueldades perpetradas por esse militar e seus “subordinados”, nos porões da ditadura.

Hoje e sempre, serão inaceitáveis homenagens a esse violador da Carta Constitucional de 1967/9, do Código Penal Militar de 1969 e das Convenções de Genebra de 1949, como documentado no Relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Ao proferir tais elogios, Hamilton Mourão conspurca, de saída, a honra dos militares brasileiros. Ao fazê-lo na condição de vice-presidente, constrange a Nação e desrespeita a memória dos que tombaram sob Ustra. E, ao insistir em reverenciar o carrasco, fere mais uma vez o decoro do cargo em que foi investido sob juramento de respeitar a Constituição. É ela que nos ensina: “Tortura é crime inafiançável, insuscetível de graça ou anistia”.

São Paulo, outubro de 2020

Margarida Genevois, presidente de honra da Comissão Arns

José Carlos Dias, presidente da Comissão Arns, ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade

Paulo Sérgio Pinheiro, ex-presidente e membro da Comissão Arns, ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade

Ailton Krenak, líder indígena e ambientalista

André Singer, cientista político e jornalista

Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado, ex–presidente da OAB-SP

Belisário dos Santos Jr., advogado, membro da Comissão Internacional de Juristas

Cláudia Costin, professora universitária, ex-ministra da Administração

Dalmo de Abreu Dalari, advogado, professor emérito e ex-diretor da Faculdade de Direito da USP

Fábio Konder Comparato, advogado, doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra, professor emérito da Faculdade de Direito da USP

José Gregori, advogado, ex-ministro da Justiça

José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares

Laura Greenhalgh, jornalista

Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista, ex-ministro da Fazenda, da Administração e da Reforma do Estado

Luiz Felipe de Alencastro, historiador, professor da Escola de Economia da FGV-SP e professor emérito da Sorbonne Université

Manuela Ligeti Carneiro da Cunha, professora da USP e da Universidade de Chicago, ex-presidente da Ass. Bras. De Antropologia

Maria Hermínia Tavares de Almeida, cientista política, professora titular da Universidade de São Paulo

Maria Victoria Benevides, socióloga e cientista política, professora titular da Faculdade de Educação da USP

Oscar Vilhena Vieira, jurista, professor da Faculdade de Direito da FGV-SP

Paulo Vannuchi, jornalista, cientista político, ex-ministro de Direitos Humanos

Sueli Carneiro, filósofa, feminista, ativista antirracista e diretora do Geledés

Vladimir Safatle, filósofo, professor do Departamento de Filosofia da USP

domingo, 27 de setembro de 2020

As regras da boa convivência

AS 7 REGRAS ORIENTAIS DA PUREZA:

1. “A pureza das mãos“: não pegue nada em excesso. Também não pegue as coisas dos outros, porque se o dinheiro não lhe estava destinado e você conseguiu obtê-lo enganando alguém ou com um truque, ele vai se tornar uma causa de problemas no seu corpo e na sua vida.

2. ”A pureza dos ouvidos“: não ouça pessoas irritadas ou precipitadas. Cuide para ficar longe das fofocas, grosserias e de conversas sem sentido.

3. “A pureza dos olhos”: não suje seus olhos com a inveja e os desejos de ter o que o outro tem, não suje os olhos assistindo a cenas de violência e crueldade. Mantenha a sua visão pura, apreciando a perfeição do mundo e a magnitude de todas as cores.

4. ”A pureza da boca“: não diga grosserias ou palavrões. Lembre-se de que o silêncio é ouro.

5. ”A pureza do corpo e da roupa“: mantenha seu corpo e roupas limpos. Preste muita atenção à sua aparência física.

6. “A pureza de pensamentos”: tire de sua cabeça pensamentos negativos e más intenções. Isso também significa não sentir pena de si mesmo. Para que fazê-lo? Não seria melhor ter incentivo para alcançar novos sucessos?

7. “A pureza da alma e do coração”: cuide e proteja os desejos da sua alma, não os ignore. Sua alma é o que você tem de mais puro e limpo. Se você orienta sua vida com as dicas de sua alma, estará caminhado pelo melhor caminho de todos. Ame e não exija nada em troca. O próprio amor em si é a felicidade. “ (da publicação do amigo Eli Buchala )

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

dan2010: da amiga Colombera Mirtes de Porto Seguro - Loja d...

dan2010: da amiga Colombera Mirtes de Porto Seguro - Loja d...: Assim como Brazópolis foi minha primeira, Piracicaba foi minha segunda cidade. Imaginem um mineirinho, caipira, de pequena, muito pequena , ...

da amiga Colombera Mirtes de Porto Seguro - Loja da Lua

Assim como Brazópolis foi minha primeira, Piracicaba foi minha segunda cidade. Imaginem um mineirinho, caipira, de pequena, muito pequena , cidade do Sul de Minas mudar-se para uma “Cidade Grande” do interior paulista! Sumpaulo como dizem meus conterrâneos baianos! Meu sotaque, então, me fazia centro de atenção dos alunos da segunda série ginasial do Colégio Piracicabano. Talvez, hoje, fosse “buling”. Mas eu até que gostava! Fiquei amigo de todos! Piracicaba me alucinava! A começar pelos apitos das fábricas às sete da manhã. Ou o carrilhão do Bom Jesus sempre, às seis e às doze horas! Os bondes, os ônibus urbanos e interurbanos, duas estações ferroviárias, de duas ferrovias! As ruas ortogonais, com quarteirões quadrados, de cem metros de lado! Dois cinemas, que logo eram seis! O “Sud Mennucci”, que ainda era Escola Normal e seus magníficos Corpos Docente e Discente. Tudo me encantava. O Comércio concentrava lojas especializadas em ruas conhecidas. Eram, por exemplo, três lojas de artigos de caça e pesca que ficavam na mesma quadra da Rua Prudente, os dois cinemas, Broadway e São José ficavam em quadras vizinhas da Rua S. José. Dos quatro que se seguiram três situavam-se na Rua Benjamin: Colonial, Palácio e Paulistinha. As lojas tinham nomes sonoros: Bazar Modelo, Céu Cor de Rosa (meninas), Céu Azul (meninos), Garoto Chique, Ao Cardinali e tantas outras. Duas me marcaram: Loja do Sol, depois A Porta Larga e Loja da Lua (esquina da Prudente com Alferes). Perceberam que minha intimidade com o nome das ruas cresceu com o maior relacionamento meu com Pira! O que me chamava a atenção nela era em primeiro lugar ser o único comércio de aeromodelismo e avião ser uma paixão em toda criança. O outro motivo só me marcaria dez anos depois! Ingressei na ESALQ em 1959. No dia 13 de maio foi o desfile dos bichos, atração imperdível em que os alunos, bichos e veteranos se uniam para fazer humor e críticas à sociedade e à Política. Lembro-me que a Comissão de Trote era encabeçada por um menino (até hoje tem cara de menino!) que os colegas chamavam de “Bofinho”, seu apelido de bicho. O meu, sintam a ironia, era “Tucano”! Sorte que não “pegou”! Não me esqueço, enquanto enchíamos a cara para enfrentar o desfile Antonio Otavio, seu nome de batismo, examinava bicho por bicho para escolher a fantasia “adequada”. Na minha vez ele me olhou, e deve ter pensado “o que será que é “adequado para esse bicho horrível”? Olhou-me com uma cara de deboche, um sorriso sarcástico e disse: “você vai ser a “baliza” do desfile! Tragam a roupinha da Silvia Hage!” Silvia Hage era uma gatinha da Alta Sociedade piracicabana, linda e escultural! Adaptações feitas e lá fui eu de “Baliza” abrir o desfile. Não me esqueço da “roupitcha”: um maiô branco de “laise” com babadinho de “filó”! Ela fazia balé com esse traje. Ao vesti-lo senti uma sensação estranha, parecia que Silvia me abraçava! Fiquei uma “graça”! A “sensação estranha” se tornou a sensação do desfile! Só superada pelo “Piranha” (Roberto Cano de Arruda) que encarnou Marco Aurélio, cronista social, muito badalado!
Em outubro, do mesmo ano, houve a apresentação do “Show Agronomia” tradicional programa de humor e arte promovido pelo Departamento Cultural e Artístico do CALQ (Centro Acadêmico “Luiz de Queiroz”) no palco da Sociedade Italiana, maravilhoso Teatro da rua D. Pedro I. A sociedade piracicabana, assanhada, se acotovelava para conseguir lugar! Além da qualidade da arte cênica o show era “de gratis”! Foi o primeiro que assisti. Auditório superlotado! Muita gente sentada no chão e em pé! Apagam-se as luzes, silencio absoluto! Vai começar! Nondas (Epaminondas) abre a cortina. Palco escuro. Suas luzes vão, pouco a pouco, acendendo. Penumbra. Vê-se um banco de jardim, ocupado por uma pessoa de terno de brim cáqui, chapéu visivelmente surrado, perna direita fletida sobre a esquerda. As luzes se acendem, o homem vira-se, dobrando a perna esquerda sobre a direita, ficando de frente para o público, que quase se desmancha em gargalhada! Parece que a minha gargalhada dura até hoje! Todos ali já haviam identificado a personagem: Poia! Tipo popular à época que frequentava o jardim em frente ao COMURBA. Sempre com o mesmo traje, sentado, pernas cruzadas, levantando- se bruscamente e começava a jogar pedras, imaginárias, sobre pessoas, também imaginárias. Era inofensivo. Mas, quem o interpretava com tanto realismo? Só podia ser ele: “Bofinho”! Jacinto foi a pessoa mais engraçada que conheci! Naquele momento, em êxtase, me prometi participar do Show Agronomia enquanto fosse aluno! E, se possível contracenar com “Bofinho”! O que, orgulhosamente, fiz muitas vezes! Hoje ainda somos amigos e nos correspondemos pela internete.
De Porto Seguro, BA, em 13/09/2020. 
de meus amigos Colombera Mirtes e

Jairo Teixeira Mendes Abrahão Professor Titular da ESALQ-USP. 

Alfio Bogdan - Físico - Professor - Analista de acidentes de trânsito.