terça-feira, 5 de janeiro de 2021

dan2010: Quem ele culpará agora?

dan2010: Quem ele culpará agora?: "Chefe, o Brasil está quebrado, e eu não consigo fazer nada", afirmou Jair Bolsonaro, nesta terça (5), a apoiadores em Brasília. E...

Quem ele culpará agora?

"Chefe, o Brasil está quebrado, e eu não consigo fazer nada", afirmou Jair Bolsonaro, nesta terça (5), a apoiadores em Brasília.
E, como sempre, culpou a imprensa. "Essa mídia sem caráter. É um trabalho incessante de tentar desgastar para tirar a gente daqui e atender interesses escusos da mídia", disse.
Antes de mais nada, é importante ressaltar que um presidente da República é eleito para garantir qualidade de vida à população brasileira e não para combater fantasiosas "mamadeiras de piroca", lutar contra inexistentes conspirações de vacinas que transformam humanos em jacarés ou usar o cargo para proteger a família e os amigos.
Se ele analisa que não é capaz de cumprir o que se espera do cargo que ocupa, tirando o Brasil do atoleiro, o mais justo e honrado a ser feito é renunciar e dar lugar a quem saiba.
A função da imprensa em uma democracia é fiscalizar o poder público. Destaque-se que todo governante tem direito ao livre espernear. Bolsonaro, porém, vai além e ataca sistematicamente o jornalismo e os jornalistas que não o chamam de "mito".
Dito isso, a declaração é mais um capítulo do mimimi que ele usa para animar a tropa e distrair o resto do que realmente importa.
Bolsonaro não assume responsabilidades. Eles as terceira.
O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), seu primogênito, é alvo de denúncia por desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa? Invenção da imprensa maldita. O Brasil conta 200 mil mortos na pandemia? Culpa de governadores e prefeitos. Desmatamento na Amazônia sobe? Mentira de nações estrangeiras, de indígenas e, claro, de Leonardo DiCaprio. A narrativa construída por Bolsonaro, seus filhos e aliados é de que, apesar das evidências, eles não têm responsabilidade por nenhum dos seus atos. Sim, parece brincadeira, mas somos governados por pessoas que se colocam como inimputáveis.
Bolsonaro tem um projeto sólido de governo: o da própria reeleição.
O plano nacional do governo federal para articular os diferentes atores da federação a fim de combater a covid-19 e adquirir vacinas antecipadamente em número suficiente para salvar vidas e proteger a economia tem o mesmo número de páginas do seu plano nacional para gerar empregos formais e proteger direitos: zero. Todas as energias são usadas para garantir que ele e sua família continuem no poder. E, quando há uma brecha, tentar lapidar o país à sua imagem e semelhança nas pautas de costumes e de comportamento.
Bolsonaro age para convencer o povo que ele não poderia fazer nada sobre um país quebrado, quando é ele o principal culpado. Foi ele quem lutou contra as quarentenas, ajudando a alongá-las mais do que o necessário. Infelizmente, ele vem tendo sucesso na empreitada, pelo que aponta as pesquisas de opinião. Por enquanto.

"Chefe, o Brasil está quebrado, e eu não consigo fazer nada." Seria ótimo que ele não fizesse nada mesmo. Porque o que ele faz é no sentido de reduzir o país a escombros.

Alfio Bogdan - Físico e Professor - Analista em acidentes de Transito 

original no Blog do Sacamoto

sábado, 19 de dezembro de 2020

dan2010: ASSIM FALOU BOLSONARO

dan2010: ASSIM FALOU BOLSONARO: I rritado com as reportagens que mostram como o órgão de inteligência do Estado brasileiro foi usado para ajudar o seu filho mais velho a se...

ASSIM FALOU BOLSONARO

Irritado com as reportagens que mostram como o órgão de inteligência do Estado brasileiro foi usado para ajudar o seu filho mais velho a se livrar de um processo por desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e organização criminosa, Jair Bolsonaro novamente soltou os cachorros para cima da imprensa e das instituições.

Durante uma formatura de policiais militares no Rio de Janeiro, nesta sexta (18), incitou agentes de segurança contra jornalistas, dizendo que defendemos canalhas e que estaremos sempre contra os policiais. "Essa imprensa jamais estará do lado da verdade, da honra e da lei. Sempre estará contra vocês. Pense dessa forma para poder agir", afirmou.
O significa implícito no "agir" é uma bala-perdida que acerta em cheio a nuca da democracia.
O discurso ocorreu no dia em que as revistas Época e Crusoé soltaram mais reportagens explicando como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi, sob o comando do diretor-geral Alexandre Ramagem, instrumentalizada para proteger o clã.
Ao longo dos últimos dois anos, os rompantes de fúria do presidente estão diretamente relacionados aos momentos em que ele vê sua prole em risco. Seja no escândalo das "rachadinhas", seja em investigações sobre os responsáveis pelo "gabinete do ódio".
Seu modus operandi é bem conhecido: ele ataca jornalistas, apresenta projetos de lei que excitam sua base de seguidores fiéis (que vão à loucura nas redes sociais), compra briga com outros poderes da República, com outros chefes de Estado e até com artistas ou dá declarações bisonhas sobre céu, a terra, a água e o ar. No limite, quando a denúncia é grave, faz tudo isso junto e fomenta manifestações criminosas que pedem autogolpe militar.
Pode não ser a mão do presidente que fará o serviço sujo, mas é a sobreposição de seus repetidos ataques a jornalistas que banaliza atos como os de esmurrar, chutar e atirar a ponto de serem vistos como uma missão divina para proteger "a verdade, a honra e a lei".
Nada disso é novidade, claro. Levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) apontou, no dia 20 de outubro, que Jair era o campeão em discursos agressivos de autoridades contra jornalistas neste ano.
O que surpreende é que ao longo de todo esse tempo, muita gente bem-intencionada, inteligente, informada e sem deficiência de vitaminas e sais minerais segue celebrando como uma virada toda vez que Bolsonaro faz um discurso ou tenha uma atitude que não lambuze de chorume a República. Não raro, dizem que isso é um indício de uma mudança em seu comportamento.
Entende-se o autoengano pelo cansaço de viver sob tensão constante, quase como a pessoa que busca indícios de calmaria após tomar uma sequência interminável de caldos pelas ondas na arrebentação.
Foi assim, recentemente, quando Bolsonaro - que é um dos mais competentes aliados do coronavírus em todo o mundo, corresponsável por seus mais de 185 mil óbitos - fez um discurso pregando união no combate à doença.
O presidente tem discursos diferentes para diferentes públicos. Em formatura de agentes de segurança, ele se sente à vontade para pregar a violência estatal como princípio de governo.
Em suas lives semanais nas redes sociais, voltadas ao bolsonarismo-raiz, ele dispara mentiras em sequência para alimentar esse grupo. Como na quinta (17), em que disse que não haveria 13º do Bolsa Família porque o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não havia colocado a pauta em votação - quando foi, em verdade, o governo que pediu para isso não ser analisado.
Em outras ocasiões, falando com audiências mais qualificadas, ele opera em outra fase de discurso, pensado por sua assessoria. Ainda mais em ocasiões em que é necessário distensão com outro poder, nesse eterno jogo de vai e vem, de morde e assopra, em que vai testando e, propositadamente, esgarçando, os limites da República.
O caso do uso da Abin para produzir relatórios a serem usados na defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na denúncia em que ele aparece como chefe do rachadeiro Fabrício Queiroz tem potencial de rebosteio. Não só pelo fato em si, mas porque é a ponta de um iceberg.
Nos últimos dois anos, Bolsonaro tentou dobrar as instituições de monitoramento e controle às suas necessidades, de seus filhos e amigos. Foi assim com a Receita Federal, o Coaf, a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República, o Incra, a Funai, o Ibama, o ICMBio, a já citada Abin, entre outros.
alfio bogdan - Físico e Professor. Anlista de acidentes de trânsito.
publicado originalmente no blog do Sakamoto