segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Cunha não calará o PSOL

Por Luciana Genro //10/08/2015

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é um verdadeiro gângster na política. Ele age de forma a preservar seus interesses corruptos e a ampliar seu feudo de influências de forma permanente. Não é à toa que Cunha viu no PSOL um inimigo a ser combatido, pois nós representamos tudo o que ele combate – e a recíproca é verdadeira, com muito orgulho.
Na noite do dia 14 de julho, de forma sorrateira, Cunha colocou em votação do PL 5735/2013, que foi apreciado em menos de 20 minutos e acabou sendo aprovado, com 246 votos favoráveis e 200 votos contrários. Esse projeto está claramente endereçado ao PSOL, pois proíbe que candidatos de partidos com menos de 9 deputados federais participem de debates eleitorais nas emissoras de televisão e de rádio.
O texto é tão perverso que piora o que já é ruim. Atualmente, as emissoras só são obrigadas a convidar para os debates os candidatos de partidos que tenham pelo menos um deputado federal eleito. Foi somente por isso que eu participei do debate presidencial na Rede Globo. Durante toda a campanha, a Globo procurou, de todas as formas, esconder a minha candidatura e barrar minha participação no debate. Mas foi obrigada, pela força da lei, a permitir a minha presença. Os debates são um dos poucos espaços onde os candidatos presentes tem condições iguais de disputa, sem as distorções geradas pelo financiamento das empreiteiras e bancos ou pela desigualdade do tempo no programa eleitoral.
Agora Eduardo Cunha e seus aliados querem barrar a participação do PSOL e de outros 11 partidos nos debates eleitorais. O PL chega ao ponto de criar mais obstáculos, caso as emissoras concordem em convidar o PSOL aos debates: condiciona a participação à aprovação de dois terços das demais candidaturas. É uma verdadeira Lei da Mordaça patrocinada por Cunha.
O PSOL não está medindo esforços para sepultar esta lei no Senado. Se ela for aprovada até outubro, poderá valer já para as eleições municipais de 2016, quando o partido apresentará candidaturas às prefeituras de todas as capitais do país. Estamos dialogando com todas as forças políticas que defendem a democracia para reforçar a necessidade de se votar contra essa medida no Senado da República.
Nas últimas semanas, já me reuni com senadores e lideranças do PT, do PP, do PSB e do PDT. Nesta semana, estarei em Brasília, juntamente com a direção nacional do PSOL, para conversar com os senadores e sensibilizar todos aqueles que prezam o debate político a votarem contra a Lei da Mordaça.  Cunha não calará o PSOL!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

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dan2010: O que é ser de Direita e Ser de Esquerda segundo B...: São ideais da Direita: (a) o individualismo que deve prevalecer sobre a busca da igualdade (principalmente a valorização da propriedade e d...

O que é ser de Direita e Ser de Esquerda segundo Bobbio

São ideais da Direita: (a) o individualismo que deve prevalecer sobre a busca da igualdade (principalmente a valorização da propriedade e da livre iniciativa para investir); (b) a intuição (irracionalismo); (c) tudo o que é sagrado deve primar sobre o profano; (d) a valorização da família tradicional (restrições ao divórcio, proibição do aborto e do homossexualismo); (e) o elogio da nobreza e do heroísmo (a felicidade pode ser um mal); (f) o racismo; (g) o militarismo e a obsessão com a defesa e a segurança nacional; (h) o crescimento econômico que deve prevalecer sobre a preservação do meio ambiente e dos interesses mais imediatos dos trabalhadores; (i) o anticomunismo, a valorização da ordem, do machismo e da hierarquia (horror à anarquia); (j) a tradição e o conservadorismo e, portanto, a identificação permanente com as classes superiores da sociedade; (l) a valorização da teoria da retribuição no Direito Criminal (a todo crime deve corresponder um castigo expiatório.), ou seja, penas severas para os criminosos, o que pode incluir a defesa da legalização da pena de morte.


Ideais da Esquerda, entre outros: (a) o primado do igualitarismo sobre os direitos da propriedade e do livre comércio; (b) o racionalismo; (c) o laicismo, ou seja, a valorização de tudo o que é profano (a coisa sagrada é relegada ao foro íntimo ou simplesmente eliminada); (d) a busca da felicidade na terra, sem limitações ético-religiosas (legalização do aborto, facilitação do divórcio, casamento de pessoas do mesmo sexo); (e) o horror à oligarquia; (f) o progressismo, a identificação permanente com as classes inferiores da sociedade; (g) a preservação do meio ambiente e os interesses dos trabalhadores, que devem prevalecer sobre a necessidade de crescimento econômico; (h) a inexistência de conceitos absolutos de bem e mal, o que implica penas mais brandas para os criminosos que, pensando bem, não cometeriam crimes, mas, quando muito, cometeriam erros, ou até mesmo poderiam estar defendendo seus direitos (a abolição da pena de morte é uma palavra-de-ordem comum da esquerda contemporânea); e (i) o anti-fascismo e a valorização da paz.

terça-feira, 21 de julho de 2015

dan2010: Humilhação, xingamentos e tortura: Violações de di...

dan2010: Humilhação, xingamentos e tortura: Violações de di...: Violações de direitos humanos marcam formação de policiais militares brasileiros Ciro Barros | Agência Pública | São Paulo - 20/07/2015 ...

Humilhação, xingamentos e tortura: Violações de direitos humanos

Violações de direitos humanos marcam formação de policiais militares brasileiros

Ciro Barros | Agência Pública | São Paulo - 20/07/2015
Praças da Polícia Militar criticam abusos físicos, psicológicos e disciplinares dentro da corporação: 'como uma polícia antidemocrática vai cuidar de uma sociedade democrática?', pergunta ex-soldado, Darlan Menezes, expulso por suas críticas.
  
“Bora, bora, você é um bicho. Você é um jumento, seu gordo!”. O ex-soldado Darlan Menezes Abrantes imita a fala dos oficiais que o instruíam na academia quando ingressou na Polícia Militar do Ceará, em fevereiro de 2001. “Às vezes, era hora do almoço e os superiores ficavam no meu ouvido gritando que eu era um monstro, um parasita. Parecia que tava adestrando um cachorro. O soldado é treinado pra ter medo de oficial e só. O treinamento era só mexer com o emocional, era pro cara sair do quartel igual a um pitbull, doido pra morder as pessoas. Como é que eu vou servir a sociedade desse jeito? É ridículo. O policial tem que treinar o raciocínio rápido, a capacidade de tomar decisões. Hoje se treina um policial e parece que se está treinando um cachorro pra uma rinha de rua”, reflete.
Darlan lembra sem saudade dos sete meses passados no extinto Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da PM cearense. “Sempre que um professor faltava, éramos obrigados a fazer faxina em todo o quartel. E o pior: quem reclamava podia ficar preso o fim de semana todo. A hierarquia fica acima de tudo no militarismo. O treinamento era só aquela coisa da ordem unida [exercícios militares de formação de marcha, de parada ou reunião dos membros da tropa], ficar o dia inteiro marchando debaixo do sol quente. Lá dentro é um sistema feudal, você tem os oficiais que podem tudo e os soldados que abaixam a cabeça e pronto, acabou. Você é treinado só pra ter medo de oficial, só isso. O soldado que vê o oficial, mesmo de folga, se treme de medo”, diz.
Enquanto era policial, Darlan estudava Teologia no Seminário Teológico Batista do Ceará e Filosofia na UECE (Universidade Estadual do Ceará). O ex-soldado conta que passou a questionar algumas ordens e instruções enquanto frequentava a academia e logo ganhou um apelido: “Mazela”, uma gíria mais comum no nordeste do Brasil para uma pessoa mole, preguiçosa. Pouco a pouco se espalhava entre a tropa a ideia de que os questionamentos do “Mazela” eram fruto de preguiça com relação aos exercícios militares.
 “Fiquei com essa fama no quartel”, afirma. “É uma lavagem cerebral. O militarismo é uma espécie de religião que cria fanáticos. Ordem unida, leis militares, os regimentos e tal, aqueles gritos de guerra. Essas coisinhas bestas que os policiais vão aprendendo, como arrumar direito a farda. Você pode ser preso se não tiver com um gorro ou chapéu na cabeça. Essas coisas que só atrapalham a vida dos policiais. Às vezes eu pegava um ônibus superlotado, chegava com a farda amassada e ficava sexta, sábado e domingo preso. Você imagina? Por causa de uma besteira dessas? Isso é ridículo”, exclama. “E isso é antes e depois do treinamento: se você for hoje na cavalaria da PM de Fortaleza você vai ver policial capinando, pegando bosta de cavalo, varrendo chão, lavando carro de coronel, abrindo porta para os semideuses [oficiais]. Eu nunca concordei com isso e fiquei com fama de preguiçoso”, diz.
O assédio moral é a regra na formação da PM em cursos de curta duração que tem como preocupação principal imprimir a cultura militar no futuro soldado; com pouco aprendizado teórico em temas como direito penal, constitucional e direitos humanos; além da sujeição a regulamentos disciplinares rígidos. É o que constatou a pesquisa “Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública” publicada em 2014 pelo Centro de Pesquisas Jurídicas Aplicadas (CPJA), da Escola de Direito da FGV de São Paulo, e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Foram ouvidos mais de 21 mil profissionais de segurança pública (entre policiais civis, militares, rodoviários federais, agentes da polícia científica, peritos criminais e bombeiros) de todas as unidades da federação, mais da metade deles policiais militares, sobretudo praças (policiais de patentes mais baixas). Destes, 82,7% afirmaram ter formação máxima de um ano antes de exercer a função, 38,8% afirmaram que já foram vítima de tortura física ou psicológica no treinamento ou fora dele e 64,4% disseram ter sido humilhados ou desrespeitados por superiores hierárquicos. 98,2% de todos os profissionais (incluindo profissionais de outras áreas) que responderam a pesquisa afirmaram que a formação e o treinamento deficientes são fatores muito importantes para entender a dificuldade do trabalho policial. 
Alfio Bogdan - Físico e Professor

terça-feira, 14 de julho de 2015