domingo, 15 de março de 2020
dan2010: Contestação de Dilma Rousseff um texto forte, muit...
dan2010: Contestação de Dilma Rousseff um texto forte, muit...: Dilma deixa, com esse manifesto furiosamente bem escrito, sua marca para a posteridade. Deixa um legado para todos os cidadãos e cidadãs d...
Contestação de Dilma Rousseff um texto forte, muito forte
Dilma deixa, com esse manifesto
furiosamente bem escrito, sua marca para a posteridade. Deixa um legado para
todos os cidadãos e cidadãs do mundo, um
registro de força, de autoestima, de elegância e de luta.
CONTESTO! Por Dilma Rousseff
"No último 11 de
março foi concluído, pelo Supremo Tribunal Federal, o julgamento dos processos
judiciais que promovi para discutir a validade do meu impeachment. Por meio de
sessão virtual (plenário eletrônico) e, portanto, sem que a minha defesa
pudesse apresentar minhas razões em sustentação oral, a maioria dos ministros
da Suprema Corte decidiu por manter a decisão isolada que monocraticamente as
julgou.
Reitero o que tenho apontado desde
2016: fui vítima de um golpe parlamentar baseado em um impeachment fraudulento,
ato inicial de um retrocesso institucional que abriu caminho para a crise da
democracia que estamos vivendo.
Diante dessa decisão e da forma pela
qual foi tomada, não posso me calar. Na
condição de pessoa que lutou pela democracia e sofreu até no seu próprio corpo
as consequências dessa luta, afirmo que o que foi decidido pela Suprema Corte
está em desacordo com a nossa Constituição, com a legislação em vigor, com o
Regimento Interno do próprio STF e com os princípios que orientam um Estado
Democrático de Direito, que desde o golpe do impeachment, vem sendo fragilizado
junto com as instituições da República.
Por isso, no exercício da liberdade
de manifestação garantida pela mesma Constituição Federal que jurei cumprir ao tomar
posse no meu mandato presidencial,
CONTESTO essa decisão por não ter
sido provada a prática de qualquer crime de responsabilidade por mim praticado,
inexistindo reais motivos constitucionais para que a cassação do meu mandato
fosse decidida pelo Senado Federal;
CONTESTO essa decisão porque esse
processo foi instaurado por decisão jurídica inválida em face do notório desvio
de poder em que incorreu o então Presidente da Câmara dos Deputados, Sr.
Eduardo Cunha, ao firmá-la em represália ao fato de eu ter me recusado a pedir
que meu partido votasse contra a abertura do procedimento que acabaria por
cassar seu mandato de deputado federal;
CONTESTO essa decisão pelo fato de que
meu impeachment foi promovido e consumado por uma comprovada articulação golpista
de líderes políticos caracterizados pela falta de caráter, pela deslealdade
institucional e pelo descompromisso ético com a coisa pública, como o próprio
decurso do tempo já se encarregou de demonstrar e a história haverá de
registrar para sempre;
CONTESTO essa decisão porque as
acusações que motivaram o meu impeachment foram condutas realizadas pelos
governos que me antecederam, sendo até então consideradas como lícitas pelos
órgãos de controle, por juristas e por órgãos técnicos do Poder Executivo Federal;
CONTESTO essa decisão porque nunca
nada foi comprovado em meu desfavor quanto a falta de probidade, a prática de
corrupção ou de enriquecimento ilícito, ao contrário de que ocorreu com os que
articularam e promoveram o golpe parlamentar que me afastou da Presidência da
República ou acabaram constituindo o governo golpista que me sucedeu;
CONTESTO essa decisão porque tenho
por inaceitável que o Supremo Tribunal Federal, após longos anos de tramitação,
não tenha examinado o meu pedido judicial em sessão pública e presencial do seu
colegiado maior, como se fosse comum e corriqueiro o julgamento de processos
que envolvem a perda de um mandato presidencial;
CONTESTO essa decisão por não ter a
nossa Suprema Corte se permitido examinar as arguições de fundo que foram
apresentadas pela minha defesa, afastando-se, com isso, do princípio
estabelecido na nossa Constituição de que nenhuma lesão de direito pode ficar
afastada da apreciação do Poder Judiciário;
CONTESTO essa decisão por ter criado
um perverso precedente judicial pelo qual todos os processos de impeachment
futuros, inclusive os passíveis de serem promovidos contra Ministros da Corte
Suprema, não poderão comportar reexame judicial do seus motivos, legitimando,
com isso, novas violências e golpes que porventura possam vir a ser praticados
contra o voto popular ou contra o livre exercício das funções da mais elevada
magistratura do país;
CONTESTO essa decisão por ter
admitido que processos dessa gravidade possam ser decididos monocraticamente,
invocando contraditoriamente o embasamento regimental de que existiria
jurisprudência consolidada a respeito, ao contrário do que expressamente
reconheceu o próprio relator original, Ministro Teori Zavascki, ao explicar as
razões pelas quais negava a medida liminar por mim pleiteada;
CONTESTO essa decisão não por
imaginar que pudesse ser ainda reconduzida ao cargo, uma vez que o tempo do meu
mandato se exauriu diante da demora na apreciação final das ações judiciais que
promovi, mas por ter a convicção de que a história democrática do nosso país
merecia o respeito de uma decisão jurisdicional que examinasse a ausência de
motivos para o meu impeachment, e de que o objeto da punição indevida e injusta
que a mim foi aplicada ainda pode sobreviver juridicamente por restarem
pendentes de decisão da Suprema Corte as ações judiciais em que se discute a
perda dos meus direitos políticos;
CONTESTO essa decisão pelo fato de
que o processo acessório em que se discute a perda dos meus direitos políticos
está a espera de pauta para ser apreciado de modo presencial pelo Plenário do
Supremo Tribunal Federal, enquanto o processo principal foi julgado em sessão
virtual como se fosse uma demanda corriqueira na qual são discutidas questões
comuns e de fácil solução;
CONTESTO essa decisão pelo fato de
que meus algozes terão direito a voz na sessão pública em que se julgará os
processos em que se discute a suspensão dos meus direitos políticos, negada
pelo Senado Federal, enquanto a minha defesa não teve a mesma oportunidade para
demonstrar a ilicitude da decisão principal que a motivou;
Alfio Bogdan - físico e professor
domingo, 8 de março de 2020
dan2010: Ana Paula BogdanQuando a mulher pediu e lutou por...
dan2010: Ana Paula Bogdan
Quando a mulher pediu e lutou por...: Ana Paula Bogdan Quando a mulher pediu e lutou por mais direitos, ela ganhou!!! Ganhou mais deveres. Ao pedir para ter voz, ela passou...
Quando a mulher pediu e lutou por...: Ana Paula Bogdan Quando a mulher pediu e lutou por mais direitos, ela ganhou!!! Ganhou mais deveres. Ao pedir para ter voz, ela passou...
Ana Paula Bogdan
Quando a mulher pediu e lutou por mais
direitos, ela ganhou!!! Ganhou mais deveres. Ao pedir para ter voz, ela passou
a frequentar tribunais, mas nunca deixou de frequentar sua cozinha.
Ainda que nunca tenha aberto um fogão, em casas
que tem mulheres, é ela em quase cem por cento das vezes, que providência ou o
que, ou quem vai cozinhar. Assim como com o direito adquirido de trabalhar onde
quer que fosse, ela nunca deixou de trabalhar em casa, levar os filhos para a
escola, cuidar dos bichinhos de
estimação. Ainda que tenha a ajuda de uma funcionária do lar, é ela na maioria
das vezes que compra os produtos de limpeza, coordena a faxina, verifica o que
falta nos armários, guarda as roupas que alguém passar.
Porque ao adquirir direitos, continuou cuidando
de tudo como fazia antes, já que ninguém trocou função com ela. Continua
menstruando alguns dias no mês e até hoje não tem nenhum direito de sangrar e
sentir suas cólicas em casa, porque tem que estar lá, marcando território para
não perder o espaço que custou tanto a conquistar. Sim! Nós ganhamos espaço,
não direitos. Porque os direitos são humanos e deveriam ser nossos desde
sempre. Acumulamos funções e pouca gente se toca disso. Além de muitas contas
para pagar!!!
Então, no “dia das mulheres”, saibam que ainda
temos muito a conquistar! Não romantizem um dia que custou vidas e muito suor
para chegar, mas lembrem-se que mulheres ainda morrem todos os dias porque o
que existe conquistado nos papéis ainda não está na consciência, nem nos
corações de muitos dos homens que não entendem nada de mulher!
Flores e chocolates não valem nada sem respeito e, se ainda há algo que falta muito para chegar, é o dia que não precisemos mais ter um dia desses para lembrar! Maldito “bendito sutiã”! Que combina com cidadã, que combina com amanhã! Ainda estamos na luta.
Alfio Bogdan - Físico e Professor
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
dan2010: Aos 5 de outubro de 1988. Promulgação da Constitui...
dan2010: Aos 5 de outubro de 1988. Promulgação da Constitui...: Discurso proferido na sessão de 5 de outubro de 1988, publicado no DANC de 5 de outubro de 1988, p. 14380-14382. O SR. ...
Aos 5 de outubro de 1988. Promulgação da Constituição Federal
Discurso proferido na sessão de 5 de outubro de 1988, publicado no DANC de 5 de outubro de 1988, p.
14380-14382.
O SR. PRESIDENTE (Ulysses Guimarães) – Exmo. Sr.
Presidente da República, José Sarney; Exmo. Sr. Presidente do Senado Federal,
Humberto Lucena; Exmo. Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro
Rafael Mayer; Srs. membros da Mesa da Assembléia Nacional Constituinte;
eminente Relator Bernardo Cabral; (palmas)
preclaros Chefes do Poder Legislativo de nações amigas; insignes Embaixadores,
saudados no decano D. Carlo Furno; Exmos. Srs. Ministros de Estado; Exmos. Srs.
Governadores de Estado; Exmos. Srs. Presidentes de Assembléias Legislativas;
dignos Líderes partidários; autoridades civis, militares e religiosas,
registrando o comparecimento do Cardeal D. José Freire Falcão, Arcebispo de
Brasília, e de D. Luciano Mendes de Almeida, Presidente da CNBB; prestigiosos
Srs. Presidentes de confederações, Sras. e Srs. Constituintes; minhas senhoras
e meus senhores:
Estatuto do Homem, da Liberdade, da Democracia.
Dois de fevereiro de 1987: “Ecoam nesta sala as reivindicações das
ruas. A Nação quer mudar, a Nação deve mudar, a Nação vai mudar.” São
palavras constantes do discurso de posse como Presidente da Assembléia Nacional
Constituinte.
Hoje, 5 de outubro de 1988, no que tange à
Constituição, a Nação mudou.
A Constituição mudou na sua elaboração, mudou na
definição dos poderes, mudou restaurando a Federação, mudou quando quer mudar o
homem em cidadão, e só é cidadão quem ganha justo e suficiente salário, lê e
escreve, mora, tem hospital e remédio,
lazer quando descansa.
Num país de 30.401.000 analfabetos, afrontosos
25% da população, cabe advertir: a cidadania começa com o alfabeto.
Chegamos! Esperamos a Constituição como o vigia espera a
aurora.
Bem-aventurados os que chegam. Não nos
desencaminhamos na longa marcha, não nos desmoralizamos capitulando ante
pressões aliciadoras e comprometedoras, não desertamos, não caímos no caminho.
Alguns a fatalidade derrubou: Virgílio Távora, Alair Ferreira, Fábio Lucena,
Antonio Farias e Norberto Schwantes. Pronunciamos seus nomes queridos com
saudade e orgulho: cumpriram com o seu dever.
A Nação nos mandou executar um serviço. Nós o fizemos
com amor, aplicação e sem medo. (Palmas.)
A Constituição certamente não é perfeita. Ela
própria o confessa, ao admitir a reforma.
Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim.
Descumprir, jamais. Afrontá- la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da
Pátria. Conhecemos o caminho maldito: rasgar a Constituição, trancar as portas
do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o
exílio, o cemitério.
A persistência da Constituição é a sobrevivência da
democracia.
Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios,
promulgamos o estatuto do homem, da liberdade e da democracia, bradamos por
imposição de sua honra: temos ódio à ditadura. Ódio e nojo. Amaldiçoamos a
tirania onde quer que ela desgrace homens e nações, principalmente na América
Latina.
Assinalarei algumas marcas da Constituição que
passará a comandar esta grande Nação.
A primeira é a coragem. A coragem é a
matéria-prima da civilização. Sem ela, o dever e as instituições perecem. Sem a
coragem, as demais virtudes sucumbem na hora do perigo. Sem ela, não haveria a
cruz, nem os evangelhos.
A Assembléia Nacional Constituinte rompeu contra
o establishment, investiu contra a
inércia, desafiou tabus. Não ouviu o refrão saudosista do velho do Restelo, no
genial canto de Camões. Suportou a ira e perigosa campanha mercenária dos que
se atreveram na tentativa de aviltar legisladores em guardas de suas burras
abarrotadas com o ouro de seus privilégios e especulações.
Foi de audácia inovadora a arquitetura da
Constituinte, recusando anteprojeto forâneo ou de elaboração interna.
O enorme esforço é dimensionado pelas 61.020
emendas, além de 122 emendas populares, algumas com mais de 1 milhão de
assinaturas, que foram apresentadas, publicadas, distribuídas, relatadas e
votadas, no longo trajeto das subcomissões à redação final.
A participação foi também pela presença, pois
diariamente cerca de 10 mil postulantes franquearam, livremente, as 11 entradas
do enorme complexo arquitetônico do
Parlamento, na procura dos gabinetes, comissões, galeria e salões.
Há, portanto, representativo e oxigenado sopro de
gente, de rua, de praça, de favela, de fábrica, de trabalhadores, de
cozinheiros, de menores carentes, de índios, de posseiros, de empresários, de
estudantes, de aposentados, de servidores civis e militares, atestando a
contemporaneidade e autenticidade social do texto que ora passa a vigorar. Como
o caramujo, guardará para sempre o bramido das ondas de sofrimento, esperança e
reivindicações de onde proveio.
A Constituição é caracteristicamente o estatuto
do homem. É sua marca de fábrica. O inimigo mortal do homem é a miséria. O
estado de direito, consectário da igualdade,
não pode conviver com estado de miséria. Mais miserável do que os miseráveis
é a sociedade que não acaba com a miséria.
Tipograficamente é hierarquizada a precedência e
a preeminência do homem, colocando-o no umbral da Constituição e
catalogando-lhe o número não superado, só no art. 5o, de 77 incisos e 104 dispositivos.
Não lhe bastou, porém, defendê-lo contra os
abusos originários do Estado e de outras procedências. Introduziu o homem no
Estado, fazendo-o credor de direitos e serviços, cobráveis inclusive com o
mandado de injunção.
Tem substância popular e cristã o título que a
consagra: “a Constituição cidadã”.
Vivenciados e originários dos Estados e
Municípios, os Constituintes haveriam de ser fiéis à Federação. Exemplarmente o
foram.
No Brasil, desde o Império, o Estado ultraja a
geografia. Espantoso despautério: o Estado contra o País, quando o País é a
geografia, a base física da Nação, portanto, do Estado.
É elementar: não existe Estado sem país, nem país
sem geografia. Esta antinomia é fator de nosso atraso e de muitos de nossos
problemas, pois somos um arquipélago social, econômico, ambiental e de
costumes, não uma ilha.
A civilização e a grandeza do Brasil percorreram
rotas centrífugas e não centrípetas.
Os bandeirantes não ficaram arranhando o litoral
como caranguejos, na imagem pitoresca mas exata de Frei Vicente do Salvador.
Cavalgaram os rios e marcharam para o
oeste e para a História, na conquista de um
continente.
Foi também indômita vocação federativa que inspirou o
gênio do Presidente
Juscelino Kubitschek, que plantou Brasília longe
do mar, no coração do sertão, como a capital da interiorização e da integração.
A Federação é a unidade na desigualdade, é a
coesão pela autonomia das províncias. Comprimidas pelo centralismo, há o perigo
de serem empurradas para a secessão.
É a irmandade entre as regiões. Para que não se
rompa o elo, as mais prósperas devem colaborar com as menos desenvolvidas.
Enquanto houver Norte e Nordeste fracos, não haverá na União Estado forte, pois
fraco é o Brasil.
As necessidades básicas do homem estão nos
Estados e nos Municípios. Neles deve estar o dinheiro para atendê-las.
A Federação é a governabilidade. A
governabilidade da Nação passa pela governabilidade dos Estados e dos
Municípios. O desgoverno, filho da penúria de recursos, acende a ira popular,
que invade primeiro os paços municipais, arranca as grades dos palácios e
acabará chegando à rampa do Palácio do Planalto.
A Constituição reabilitou a Federação ao alocar
recursos ponderáveis às unidades regionais e locais, bem como ao arbitrar
competência tributária para lastrear-lhes a independência financeira.
Democracia é a vontade da lei, que é plural e
igual para todos, e não a do príncipe, que é unipessoal e desigual para os
favorecimentos e os privilégios.
Se a democracia é o governo da lei, não só ao
elaborá-la, mas também para cumpri-la, são governo o Executivo e o Legislativo.
O Legislativo brasileiro investiu-se das
competências dos Parlamentos contemporâneos.
É axiomático que muitos têm maior probabilidade
de acertar do que um só. O governo associativo e gregário é mais apto do que o
solitário. Eis outro imperativo de governabilidade: a co-participação e a
co-responsabilidade.
Cabe a indagação: instituiu-se no Brasil o
tricameralismo ou fortaleceu-se o unicameralismo, com as numerosas e
fundamentais atribuições cometidas ao Congresso Nacional? A resposta virá pela
boca do tempo. Faço votos para que essa regência trina prove bem.
Nós, os legisladores, ampliamos nossos deveres.
Teremos de honrá-los. A Nação repudia a preguiça, a negligência, a inépcia. (Palmas.) Soma-se à nossa atividade ordinária,
bastante dilatada, a edição de 56 leis complementares e 314 ordinárias. Não
esqueçamos que, na ausência de lei complementar,
os cidadãos poderão ter o provimento suplementar pelo mandado de injunção.
A confiabilidade do Congresso Nacional permite
que repita, pois tem pertinência, o slogan: “Vamos
votar, vamos votar”, que integra o folclore de nossa prática constituinte,
reproduzido até em horas de diversão e em programas humorísticos.
Tem significado de diagnóstico a Constituição ter
alargado o exercício da democracia, em participativa além de representativa. É
o clarim da soberania popular e direta, tocando no umbral da Constituição, para
ordenar o avanço no campo das necessidades sociais.
O povo passou a ter a iniciativa de leis. Mais do
que isso, o povo é o superlegislador, habilitado a rejeitar, pelo referendo,
projetos aprovados pelo Parlamento.
A vida pública brasileira será também fiscalizada
pelos cidadãos. Do Presidente da República ao Prefeito, do Senador ao Vereador.
A moral é o cerne da Pátria.
A corrupção é o cupim da República. República
suja pela corrupção impune tomba nas mãos de demagogos, que, a pretexto de
salvá-la, a tiranizam.
Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem
roube, eis o primeiro mandamento da moral pública.
Pela Constituição, os cidadãos são poderosos e
vigilantes agentes da fiscalização, através do mandado de segurança coletivo;
do direito de receber informações dos órgãos públicos, da prerrogativa de
petição aos poderes públicos, em defesa de direitos contra ilegalidade ou abuso
de poder; da obtenção de certidões para defesa de direitos; da obtenção de
certidões para defesa de direitos; da ação popular, que pode ser proposta por
qualquer cidadão, para anular ato lesivo ao patrimônio público, ao meio
ambiente e ao patrimônio histórico, isento de custas judiciais; da fiscalização
das contas dos Municípios por parte do contribuinte; podem peticionar,
reclamar, representar ou apresentar queixas junto às comissões das Casas do
Congresso Nacional; qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato
são partes legítimas e poderão denunciar irregularidades ou ilegalidades
perante o Tribunal de Contas da União, do Estado ou do Município. A gratuidade
facilita a efetividade dessa fiscalização.
A exposição panorâmica da lei fundamental que
hoje passa a reger a Nação permite conceituá-la, sinoticamente, como a
Constituição coragem, a Constituição cidadã, a Constituição federativa, a
Constituição representativa e participativa, a Constituição do
Governo síntese Executivo-Legislativo, a Constituição
fiscalizadora.
Não é a Constituição perfeita. Se fosse perfeita,
seria irreformável. Ela própria, com
humildade e realismo, admite ser emendada, até por maioria mais acessível,
dentro de 5 anos.
Não é a Constituição perfeita, mas será útil,
pioneira, desbravadora. Será luz, ainda que de lamparina, na noite dos
desgraçados. É caminhando que se abrem os caminhos. Ela vai caminhar e
abri-los. Será redentor o caminho que penetrar nos bolsões sujos, escuros e
ignorados da miséria.
Recorde-se, alvissareiramente, que o Brasil é o
quinto país a implantar o instituto moderno da seguridade, com a integração de
ações relativas à saúde, à previdência e à assistência social, assim como a
universalidade dos benefícios para os que contribuam ou não, além de beneficiar
11 milhões de aposentados, espoliados em seus proventos.
É consagrador o testemunho da ONU de que nenhuma
outra Carta no mundo tenha dedicado mais espaço ao meio ambiente do que a que
vamos promulgar.
Sr. Presidente José Sarney: V.Exa. cumpriu
exemplarmente o compromisso do saudoso, do grande Tancredo Neves, de V.Exa. e
da Aliança Democrática ao convocar a Assembléia Nacional Constituinte. A Emenda
Constitucional no 26
teve origem em mensagem do Governo, de V.Exa., vinculando V.Exa. à efemeridade
que hoje a Nação celebra.
Nossa homenagem ao Presidente do Senado, Humberto
Lucena, atuante na Constituinte pelo seu trabalho, seu talento e pela
colaboração fraterna da Casa que representa.
Sr. Ministro Rafael Mayer, Presidente do Supremo
Tribunal Federal, saúdo o Poder Judiciário na pessoa austera e modelar de
V.Exa.
O imperativo de “Muda Brasil”, desafio de nossa
geração, não se processará sem o
conseqüente “Muda Justiça”, que se instrumentalizou na Carta Magna com a
valiosa contribuição do poder chefiado por V.Exa. Cumprimento o eminente
Ministro do Supremo Tribunal Federal, Moreira Alves, que, em histórica sessão,
instalou em 1o de
fevereiro de 1987 a Assembléia Nacional Constituinte.
Registro a homogeneidade e o desempenho admirável
e solidário de seus altos deveres, por parte dos dignos membros da Mesa
Diretora, condôminos imprescindíveis de minha
Presidência.
O Relator Bernardo Cabral foi capaz, flexível
para o entendimento, mas irremovível nas posições de defesa dos interesses do
País. O louvor da Nação aplaudirá sua vida pública.
Os Relatores Adjuntos, José Fogaça, Konder Reis e
Adolfo Oliveira, (palmas) prestaram
colaboração unanimemente enaltecida. Nossa palavra de sincero e profundo louvor
ao mestre da língua portuguesa Prof. Celso Cunha, por sua colaboração para a
escorreita redação do texto.
O Brasil agradece pela minha voz a honrosa
presença dos prestigiosos dignitários do Poder Legislativo do continente
americano, de Portugal, da Espanha, de Angola, Moçambique, Guiné Bissau,
Príncipe e Cabo Verde. As nossas saudações.
Os Srs. Governadores de Estado e Presidentes das
Assembléias Legislativas dão realce singular a esta solenidade histórica.
Os Líderes foram o vestibular da Constituinte.
Suas reuniões pela manhã e pela madrugada, com autores de emendas e
interessados, disciplinaram, agilizaram e qualificaram as decisões do Plenário.
Os Anais guardarão seus nomes e sua benemérita faina. (Palmas.)
Cumprimento as autoridades civis, eclesiásticas e
militares, integrados estes com seus chefes, na missão, que cumprem com
decisão, de prestigiar a estabilidade democrática.
Nossas congratulações à imprensa, ao rádio e à
televisão. Viram tudo, ouviram o que quiseram, tiveram acesso desimpedido às
dependências e documentos da Constituinte. Nosso reconhecimento, tanto pela
divulgação como pelas críticas, que documentam a absoluta liberdade de imprensa
neste País.
Testemunho a coadjuvação diuturna e esclarecida
dos funcionários e assessores, (muito
bem! palmas) abraçando-os nas pessoas de seus excepcionais chefes, Paulo
Affonso Martins de Oliveira e Adelmar Sabino.
Agora conversemos pela última vez, companheiras e
companheiros constituintes.
A atuação das mulheres nesta Casa foi de tal teor
(palmas prolongadas), que, pela
edificante força do exemplo, aumentará a representação feminina nas futuras
eleições.
Agradeço a colaboração dos funcionários do Senado – da
Gráfica e do Prodasen.
Agradeço aos Constituintes a eleição como seu
Presidente e agradeço o convívio alegre, civilizado e motivador. Quanto a mim,
cumpriu-se o magistério do filósofo: o
segredo da felicidade é fazer do seu dever o seu prazer.
(Palmas.)
Todos os dias, meus amigos constituintes, quando
divisava, na chegada ao Congresso, a concha côncava da Câmara rogando as
bênçãos do céu, e a convexa do Senado ouvindo as súplicas da terra, (palmas) a alegria inundava meu coração.
Ver o Congresso era como ver a aurora, o mar, o canto do rio, ouvir os
passarinhos.
Sentei-me ininterruptamente 9 mil horas nesta
cadeira, em 320 sessões, gerando até interpretações divertidas pela não-saída
para lugares biologicamente exigíveis. (Risos.
Palmas.) Somadas as das sessões, foram 17 horas diárias de labor, também no
gabinete e na residência, incluídos sábados, domingos e feriados.
Político, sou caçador de nuvens. Já fui caçado
por tempestades. (Palmas.) Uma delas,
benfazeja, me colocou no topo desta montanha de sonho e de glória. Tive mais do
que pedi, cheguei mais longe do que mereço. (Não apoiado.) Que o bem que os Constituintes me fizeram frutifique
em paz, êxito e alegria para cada um deles.
Adeus, meus irmãos. É despedida definitiva, sem o desejo
de retorno.
Nosso desejo é o da Nação: que este Plenário não
abrigue outra Assembléia Nacional Constituinte. (Palmas prolongadas.) Porque, antes da Constituinte, a ditadura já
teria trancado as portas desta Casa.
Autoridades, Constituintes, senhoras e senhores,
A sociedade sempre acaba vencendo, mesmo ante a
inércia ou antagonismo do Estado.
O Estado era Tordesilhas. Rebelada, a sociedade
empurrou as fronteiras do Brasil, criando uma das maiores geografias do
Universo.
O Estado, encarnado na metrópole, resignara-se
ante a invasão holandesa no Nordeste. A sociedade restaurou nossa integridade
territorial com a insurreição nativa de Tabocas e Guararapes, (palmas) sob a liderança de André Vidal
de Negreiros, Felipe Camarão e João Fernandes Vieira, que cunhou a frase da
preeminência da sociedade sobre o Estado: “Desobedecer
a El-Rei, para servir a El-Rei”. (Muito
bem!)
O Estado capitulou na entrega do Acre, a
sociedade retomou-o com as foices, os machados e os punhos de Plácido de Castro
e dos seus seringueiros. (Palmas.)
O Estado autoritário prendeu e exilou. A
sociedade, com Teotônio Vilela, pela anistia, libertou e repatriou. (Palmas.)
A sociedade foi Rubens Paiva,
não os facínoras que o mataram. (Muito bem!
Palmas prolongadas.)
Foi a
sociedade, mobilizada nos colossais comícios das Diretas-já, que, pela
transição e pela mudança, derrotou o Estado usurpador.
Termino
com as palavras com que comecei esta fala: a Nação quer mudar. A Nação deve
mudar. A Nação vai mudar.
A
Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo
à mudança.
Que a promulgação seja nosso grito:
– Mudar para vencer!
Muda, Brasil!
(Muito bem! Muito bem! Palmas
prolongadas.)
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
dan2010: Texto apresentado por Síntese das alterações à MP ...
dan2010: Texto apresentado por Síntese das alterações à MP ...: Texto apresentado por Síntese das alterações à MP 905/19; transformada em PLV O texto ( substitutivo ) apresentado pelo relator vai a ...
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