Aposentado; Professor de Física na FFCL da USP de Ribeirão Preto - SP; Perito em acidente de trânsi

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

dan2010: Mas que descuidada a nossa!!! Não acreditávamos no...

dan2010: Mas que descuidada a nossa!!! Não acreditávamos no...: ≪ Novo governo é o triunfo da ignorância e da estupidez', diz Leonardo Boff- "Como pôde acontecer tudo isso e tanta insensatez em ...

Mas que descuidada a nossa!!! Não acreditávamos no reverso

Novo governo é o triunfo da ignorância e da estupidez', diz Leonardo Boff- "Como pôde acontecer tudo isso e tanta insensatez em nosso país? Onde nós erramos? Como não conseguimos prever esse salto rumo à Idade Média?", questiona o teólogo - Leonardo Boff diz preocupar-se com a eventualidade de um golpe militar- "Tenho esperança de que o Brasil seja muito maior do que as pequenas cabeças dos que agora vão governar com um projeto que sempre favoreceu o mercado e os poderosos à custa da marginalização da maioria". Para Boff, a chegada dos atuais comandantes do país "é o triunfo da ignorância e da estupidez". São Paulo – Para o teólogo Leonardo Boff, o início do governo de Jair Bolsonaro mostra "todo o despreparo" do presidente eleito. "É contraditório, não sabe bem o que quer, nem sequer conhece as reais necessidades do país." Mais do que isso, ele acredita que o novo presidente, que tomou posse no dia 1° de janeiro, "é a maior desgraça que ocorreu em nossa história". Para Boff, a chegada dos atuais comandantes do país "é o triunfo da ignorância e da estupidez".
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 11/01/2019 07h49
REPRODUÇÃO/TVT
Leonardo Boff

Depois de o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) divulgar, no dia 8, memorandos nos quais determinou a paralisação da reforma agrária, o presidente do órgão, Francisco Nascimento, revogou os documentos no dia seguinte, em mais um dos muitos recuos do governo em menos de 10 dias.
Uma eventual confirmação da suspensão da reforma agrária, que, de qualquer maneira, seria coerente com o ideário de Bolsonaro e seus apoiadores, principalmente o agronegócio, é anticonstitucional, diz Boff. "A Constituição de 1988 prevê a reforma agrária. Bolsonaro não possui autonomia pessoal. Obedece ao agronegócio, à velha oligarquia que vive de privilégios. São, na verdade, os descendentes da casa-grande."
Apesar de tudo, o teólogo ainda acredita no país. "Tenho esperança de que o Brasil seja muito maior do que as pequenas cabeças dos que agora vão governar dentro de um rígido fundamentalismo de corte religioso com um projeto econômico-político ultraliberal", afirma, em entrevista respondida por e-mail à RBA.
Como o senhor avalia esse início de governo Bolsonaro?
Esse início de governo mostra todo o despreparo do presidente eleito. É contraditório, não sabe bem o que quer, nem sequer conhece as reais necessidades do país. É a maior desgraça que ocorreu em nossa história. É o triunfo da ignorância e da estupidez. Ele não está à altura da grandeza e da complexidade do Brasil.
Acredita que o governo ameaça a democracia?
Ele nunca falou em defender a democracia. Suas falas na campanha se orientaram por tudo aquilo que destrói uma democracia, mesmo a nossa, que é de baixa intensidade: desrespeito a minorias políticas que são maiorias numéricas, como os negros e negras, desprezo pelos indígenas e quilombolas, ameaça aos LGBT. Não possui o sentido da igualdade de todos em dignidade e direitos. É preconceituoso e pensa que os problemas se resolvem com a pancada. Isso é contra qualquer sentido democrático.
O que acha de uma eventual suspensão da reforma agrária, conforme ordenada pelo governo na terça-feira (8), apesar do recuou posterior?
É um ato anticonstitucional. A Constituição de 1988 prevê a reforma agrária. Ele não possui autonomia pessoal. Obedece ao agronegócio, à velha oligarquia que vive de privilégios e são, na verdade, os descendentes da Casa Grande. Temo apenas que essa exclusão da reforma agrária produza muita violência no campo e os sem-terra sejam criminalizados como terroristas.
E o papel desempenhado pelos movimentos sociais e pela esquerda brasileira diante do novo governo?
Acho que todos ficaram aturdidos se perguntando: como pode acontecer tudo isso e tanta insensatez em nosso país? Onde nós erramos? Como não conseguimos prever esse salto rumo à Idade Média? Creio que as esquerdas e os que compõem o campo progressista não encontraram ainda uma estratégia concreta para enfrentar tanto caos que já está se criando e que possivelmente aumentará.
Acredita na "união da esquerda", na luta pela manutenção de direitos?
Na minha opinião, é preciso criar uma frente ampla democrática, de partidos progressistas e de forças sociais para defender a democracia, os direitos fundamentais dos cidadãos e os bens públicos, que são a base de nossa soberania e da construção de uma nação com menos desigualdades sociais e, por fim, para impedir que se acrescente mais sofrimento aos que sempre sofreram em nossa história.
Mas tenho esperança de que o Brasil seja muito maior do que as pequenas cabeças dos que agora vão governar dentro de um rígido fundamentalismo de corte religioso com um projeto econômico-político ultraliberal que sempre favoreceu o mercado e os poderosos à custa da marginalização das grandes maiorias de nosso povo.
Qual sua maior preocupação na atual conjuntura?
Preocupo-me com a eventualidade de um golpe militar brando que afaste o atual presidente por vê-lo como um estorvo às políticas minimamente sensatas e nacionalistas. Já sabemos como funciona a cabeça do militar acostumado a identificar o inimigo e dar-lhe combate constante, especialmente contra os que se opõem a um tal governo.

sábado, 5 de janeiro de 2019

dan2010: Improvisação de Bolsonaro ou cronica de terra arr...

dan2010: Improvisação de Bolsonaro ou cronica de terra arr...: O governo do capitão da reserva Jair Bolsonaro parece ser, aos olhos de nós, pobres mortais, de uma improvisação catastrófica. Digo que “pa...

Improvisação de Bolsonaro ou cronica de terra arrasada.

O governo do capitão da reserva Jair Bolsonaro parece ser, aos olhos de nós, pobres mortais, de uma improvisação catastrófica. Digo que “parece ser”, porque é compreensível, dentro de minhas limitações, que um sujeito que conseguiu chegar lá por meio de sofisticadíssimo estratagema de impulsionamento global de mensagens mentirosas, com capacidade de iludir massas, esteja construindo um governo tão barbaramente desqualificado, sem que haja propósito nisso!
Posso estar vendo chifre em cabeça de cavalo. Sempre é bom ficar com um pé atrás, diante da arte do ilusionismo que tomou conta da política brasileira. Nem tudo é o que parece ser. Começo a duvidar até de meus olhos. Apenas as lembranças históricas não costumam falhar…
Hitler e sua malta de odientos fascistas alucinados, ao assaltarem a Polônia em 1939, se propuseram a eliminar uma nação do mapa, começando por dizimar sua inteligência – professores, intelectuais, artistas, escritores, pesquisadores e técnicos qualificados. O que sobrasse dos polacos – “subumanos eslavos”, segundo a novilíngua nazista – deveria se tornar, para o resto dos tempos, um povo submisso de lacaios a serviço da “Herrenrasse” ariana.
O “empreendimento Tannenberg”, como se chamava a operação, foi meticulosamente preparada pelo Amt II da SD (serviço de inteligência da SS), com produção de listas de nomes das pessoas a serem detidas e assassinadas. Restaria, ao final, pelo desejo dos invasores, apenas uma sociedade de terra arrasada, incapaz de se opor a sua germanização.
Os tempos são outros, mas os canalhas se adaptam. Invadir o Brasil para dizimar sua inteligência seria algo anacrônico. Hoje se usa o “softpower” para destruir e submeter. Chamam-no de “guerra híbrida”. Desviam-se as potencialidades e se aproveitam as debilidades estruturais e funcionais de uma sociedade doméstica, faz-se uso de doutrinação subliminar. As redes sociais com sua veiculação impulsiva de bronca se prestam muito bem a isso.
Não é difícil verificar que o beócio do capitão da reserva que ganhou a corrida presidencial não está sozinho no seu projeto, que só é “seu” na sua fantasia e na fantasia de seus filhos oligofrênicos, bem como daquelas pobres criaturas ainda inebriadas com a miragem do “mito”. Quem, no entanto, comanda a operação arrasa-Brasil não mora aqui. Está tão distante quanto os servidores que disseminaram “en masse” mensagens mentirosas na campanha presidencial.
Ocupar os cargos do governo com gente incapaz, vaidosa e despreparada parece ser parte da estratégia de dominação. Trata-se de forma “soft” de matar a “intelligentsia” no aparato estatal. Tacham-se os melhores quadros de “marxistas” e sobram os ingênuos, “useful idiots”, para levar a máquina pública a seu descalabro. Depois, vêm os salvadores do FMI, do Banco Mundial e do Federal Reserve, para cuidar da massa falida, para transformar o Brasil no “Generalgouvernement” americano.
De bobo não tem nada, quem está por detrás desse plano. Bobos somos nós que só olhamos para as aparências, achando que o capitão da reserva manda alguma coisa. Bobos são os que acham que foi a “corrupissaum dos petralhas” a causa dessa indignidade porque nossa nação vai fatalmente passar. Mas o buraco é mais embaixo, como diz a sabedoria popular.
Tome-se como exemplo a escolha do futuro chanceler do Brasil. Um idiota de carteirinha. Um zero à esquerda que conseguiu ser promovido este ano a ministro de primeira classe por um governo à deriva, certamente à base de muito beija-mão, como sói ser na casa de Rio Branco. Beijou mãos podres e golpistas. Produziu um blog de terceira categoria para puxar o saco do capitão e de seus filhos-diádocos, ousando o que nenhum diplomata de raiz ousaria. Depois, fez publicar um texto cheio de asneiras sobre a salvação da “civilização ocidental” por Donald Trump – um texto que faria corar até o mais inestudado aluno de relações internacionais.
Mas a escolha tem sua razão de ser. O aparente besteirol do diplomata lunático tem sistema, como o tiveram mensagens sobre a URSAL ou sobre a suposta defesa da pedofilia pelo candidato adversário do capitão da reserva, serve sobretudo para confundir e transformar a comunicação numa sopinha de letras, longe de qualquer consenso sobre significantes e significados. É com essa guerra semiótica que se desestruturam diálogos essenciais numa sociedade.
O Brasil está alvo de um forte ataque e só não vê quem não quer. Aprofundou-se a fragmentação política de modo a impedir a adoção de qualquer agenda. As eleições, ao invés de estancar a polarização paralisante de pós-2013, a radicalizaram. Não há conversa possível com quem sugere que a embaixada da Alemanha peca por ignorância quando explica que o nazismo foi uma prática da direita política. O discurso da turba ficou tão absurdo que se reduz a um latido. E a latidos se responde com latidos. Uau-uau!
A quem interessa essa destruição do país? A importância estratégica do Brasil pode oferecer muitas respostas, mas o certo é que só não interessa às brasileiras e aos brasileiros. De uma pujante potência periférica vamos nos transformar num parque de diversões das nações centrais. Vão rir muito de nós enquanto surrupiam nossos ativos. E são, para variar, os mais pobres – os “subumanos cucarachos”, na novilíngua trumpista – que pagarão a conta, com extinção das políticas públicas, com o fim de direitos econômicos e sociais e com a degradação dos serviços públicos mais básicos, pois, quem tem dinheiro, se juntará à gargalhada da plateia gringa em Miami, com Bolsonaro, o Bozo, a se apresentar como protagonista do quadro de humor desse triste circo brasileiro.
Eugênio Aragão é ex-ministro da Justiça
Alfio Bogdan - Físico e Professor. 

dan2010: Desde os comitês internacionais Lula Livre

dan2010: Desde os comitês internacionais Lula Livre: Manuel Serrano : Jair Bolsonaro foi eleito como novo presidente do Brasil. O que supõe a sua eleição para o seu país, para a América Latin...

Desde os comitês internacionais Lula Livre

Manuel Serrano: Jair Bolsonaro foi eleito como novo presidente do Brasil. O que supõe a sua eleição para o seu país, para a América Latina e para o futuro da democracia na região? Reginaldo Nasser: Quando perguntaram ao ex-presidente dos EUA, Nixon, na década de 70, se ele temia que o Brasil se tornasse numa “nova Cuba”, ele respondeu que não.
Que, na verdade, o Brasil poderia se tornar numa “nova China”. Portanto, sim, tem um efeito em todos os países da região, mas os países também apresentam as suas particularidades em relação aos militares, elites e demais sectores da sociedade.
A ditadura no Brasil foi um tema protelado, para que pudesse haver uma conciliação das classes, ao contrário da Argentina e do Chile. Nesse sentido, é um assunto não resolvido que voltou com uma força nunca antes vista.
Ainda assim, até ao momento, há indícios que se trata duma onda passageira (Trump, Bolsonaro). Contudo, só será assim se houver resistência e mobilização; e se a mesma estiver conectada internacionalmente.
Manuel Serrano: diversos comentadores tendem a descrever o novo presidente como o “Trump dos Trópicos”. Contudo, o professor escreveu recentemente que “Bolsonaro tenta mimetizar a linguagem e o estilo de Trump, mas parece se esquecer de que não está à frente de uma potência mundial”. Onde começam e acabam as similitudes entre um e o outro? Reginaldo Nasser: até ao momento a analogia que podemos fazer é em relação à campanha eleitoral. Muito provavelmente, Bolsonaro tenderá a manter, durante o seu governo, o estilo Trump de menosprezar a grande midia e usar o Twitter e um tipo de comunicação informal com frases chocantes e polémicas.
O Oxford Internet Institute tem feito um acompanhamento dos conteúdos divulgados por Trump e pelos seus seguidores e concluiu que foram mais compartilhados na última campanha eleitoral norte-americana (intercalares) do que em 2016.
Portanto, ao que tudo indica, Bolsonaro continuará a usar essa técnica, claramente importada dos EUA, uma vez que a mesma ajuda a desviar a atenção dos problemas do país.
Manuel Serrano: que análise faz da nomeação do juiz Sérgio Moro como ministro da justiça? Estamos a falar da “fraude do século”? Coloca esta decisão em causa a operação Lava-Jato e a imparcialidade do sistema judicial brasileiro? Reginaldo Nasser: Creio que a escolha do juiz Moro como ministro da justiça faz parte de um processo que contem vários elementos. E tal como num grande puzzle, as peças foram-se encaixando pouco a pouco. Teve inicio com o mensalão, tendo tudo o resto ido no sentido de alimentar o principal propósito: impedir o PT de chegar ao poder.
O golpe contra a presidente Dilma mostrou claramente que amplos sectores da sociedade se articularam com diferentes partes do Estado – polícia, judiciário, parlamento – para alijar o PT do poder seguindo as leis e a constituição.
A prisão do presidente Lula e o impedimento das manifestações veio comprovar isso mesmo. O vice-presidente eleito, o general Mourão, chegou a declarar que o juiz Moro foi consultado durante as eleições.
Manuel Serrano: o programa de Bolsonaro inclui medidas que vão contra direitos incluídos na Constituição Brasileira. O direito à vida, por exemplo, seria vulnerado se fosse permitido aos policias “matar à vontade” no decurso da sua actividade. Acredita que o Supremo Tribunal Federal vai ser capaz de impedir que o presidente viole os direitos fundamentais dos brasileiros? Reginaldo Nasser: Creio que o governo Bolsonaro encontrará resistência no judiciário, mas, sobretudo no Supremo Tribunal Federal (STF).
Recentemente, a ministra Cármen Lúcia, determinou através duma decisão liminar que a única força legitimada a “invadir uma universidade é a das ideias livres e plurais”.
A decisão garante assim a livre manifestação do pensamento e das ideias contra as decisões de juízes eleitorais que determinaram a busca e a apreensão de panfletos e materiais de campanha eleitoral nas universidades, em associações de docentes, e que proibiram aulas com temática eleitoral, assim como reuniões e assembleias de natureza política.
Está é sem dúvida uma acção positiva, mas que revela também que há vários sectores dentro do Estado que atentam sistematicamente contra o estado de direito.
Manuel Serrano: como foi possível que a extrema-direita tenha chegado ao poder no Brasil? Quais foram para si os principais catalisadores deste resultado? Reginaldo Nasser: Venho analisando há algum tempo o tema da contra-revolução, que é muito pouco estudado. Se analisarmos com atenção as obras de Marx, tais como o Manifesto do Partido Comunista e o 18 Brumário de Luís Bonaparte, apreciaremos uma preocupação em relação à contra-revolução. É preciso entender que a contra-revolução existe independentemente de a revolução ter acontecido ou não.
No Brasil, estamos falando de um processo que, timidamente, e de forma conciliatória, promoveu o combate à miséria e o acesso à educação superior de um percentual pequeno na sociedade.
E permitiu ganhos substantivos para o empresariado em geral e para os sectores financeiros em particular. Contudo, foi suficiente para despertar uma reacção quando o momento propicio apareceu. E isso acontece quase sempre em época de crise económica.
Foi assim que as elites chegaram a um consenso: colocar um fim na era do PT. Mas, durante essa movimentação, a extrema direita avançou além do que se esperava. Isso pode ser notado agora em jornalistas, políticos, e nalguns activistas que ajudaram a fomentar o antipetismo e agora aparecem como “madalenas arrependidas”. Mas não nos podemos iludir: esses sectores vão-se acomodar se as coisas “forem bem”.
Manuel Serrano: Polarização, ataques à imprensa, militares no governo. É assim que se suicidam as democracias? Reginaldo Nasser: Quando avaliamos avanços e retrocessos na história, é sempre pertinente situar a situação de que estamos a falar. É inquestionável que a constituição de 1988 e o processo de mobilização social e política no país após a ditadura civil-militar foram avanços importantes.
Assim como o foram uma série de movimento sociais, tais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
Contudo, ao mesmo tempo, a democracia tem sido corroída em várias frentes. Apesar dos avanços alcançados durante os governos do PT, o Brasil é hoje um país extremamente desigual e violento, sendo óbvio que são os mais vulneráveis que pagam a conta.
As questões episódicas que afloraram agora são a ponta do iceberg da reacção dos sectores mais conservadores aos anos de progresso.
Estamos a assistir claramente a como alguns grupos querem fazer um acerto de contas em todas as áreas. Nesse sentido, chama a atenção os ataques contra as universidades, os movimentos LGBTs, a livre-manifestação de ideias…
Manuel Serrano: falámos numa entrevista, realizada há um ano, sobre as notícias falsas e a parcialidade dos meios de comunicação no Brasil. Que influência tiveram ambos factores nestas eleições? Reginaldo Nasser: Nestas eleições, as redes virtuais, principalmente o WhatsApp, foram decisivas. Muitos analistas comentavam que a candidatura Bolsonaro não descolaria, pois não possuía tempo suficiente no horário eleitoral gratuito.
Mas pela primeira vez, isso não foi decisivo. Os seus apoiantes, ancorados numa indústria muito bem organizada, tiveram una enorme influência sobre a eleição.
A jornalista da Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello, revelou como se montou a indústria das fake news em torno da candidatura de Bolsonaro. As eleições revelaram também a incapacidade das instituições de justiça em coibir esse tipo de acções.
Em Dezembro de 2017, uma reportagem da BBC Brasil revelou a existência de estratégias de manipulação eleitoral e da opinião pública nas redes sociais, semelhante à usada pelos russos nas eleições americanas, que tem sido usada no Brasil desde 2012. Nada foi feito para combater este fenómeno.
Manuel Serrano: Pepe Mujica veio lembrar que “não há derrota ou triunfo definitivo”. O que pode fazer a oposição, e todas aquelas pessoas que defendem os direitos humanos, para garantir que o Brasil continua a ser a maior democracia da América Latina? Reginaldo Nasser: é compreensível que várias pessoas entrem em pânico com a eleição de alguém que propaga um discurso belicista e ameaça os seus críticos.
Alguns lembram-se de 1964, e com razão, já que Bolsonaro fez questão de elogiar aquele que é o símbolo da tortura no Brasil: o coronel Ulstra.
Os mais jovens parecem tomados de surpresa, afinal de contas, dizem eles, a ditadura era coisa do passado. É preciso estar alerta o tempo todo, mas não podemos entrar num clima de medo: esse é o objectivo do terror.
Não nos podemos esquecer, em termos de votos totais, que o candidato vencedor teve à volta de 40% dos votos. E que em termos de votos válidos – excluindo os votos nulos, brancos e quem não compareceu – estamos a falar de 55% contra os 45% de Haddad.
Os votos de Haddad vieram, em sua maioria, da região nordeste, dos mais pobres e das mulheres. Ou seja, a sociedade esta dividida.
Além disso, não nos podemos esquecer que o PT venceu quatro eleições presidenciais seguidas e muito provavelmente venceria a quinta se Lula não tivesse sido preso. Creio que se trata de um facto inédito no Brasil e, possivelmente, no mundo, em que a alternância de poder entre partidos se verifica mais regularmente.
É preciso, portanto, diferenciar o discurso das acções; muito embora as palavras e os gestos acabem por configurar uma estrutura social que encoraje as pessoas a agir por conta própria.
Há elementos nos discursos de Bolsonaro – além de gestos – típicos do fascismo. Mas até o momento, não se pode falar dum conjunto regular e organizado de acções fascistas.
Todavia, ele vai procurar agir “dentro da lei”, pois há uma estrutura institucional permissiva para realizar uma verdadeira “caça as bruxas”. De aí a importância da comunidade internacional.
Se a ação da extrema direita tem características marcadamente internacionais, o mesmo deve acontecer em relação à luta democrática.
(https://comitelulalivre.org/comites/)
Alfio Bogdan - Físico e Professor 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018